Por que motivo um sistema insiste repetidamente na importância da dedicação? Num sistema que funciona bem, os custos são geralmente suportados pela própria estrutura, o trabalho corresponde à remuneração, o risco à compensação e a responsabilidade à autorização. Os indivíduos não precisam de ser constantemente solicitados a dedicar-se, pois o esforço já é avaliado pelo sistema, mas quando o sistema não consegue ou não quer assumir claramente esses custos, ele passa a transferi-los para os indivíduos através de escolhas morais. Assim, a dedicação passa a desempenhar uma nova função: fazer com que o esforço adicional pareça voluntário, e não uma obrigação estrutural.
Verás um fenómeno típico: objetivos que aumentam continuamente, recursos que não acompanham, mecanismos de compensação pouco claros, e uma ênfase repetida no espírito de dedicação. Essa dedicação deixa de ser apenas uma virtude e passa a ser um mecanismo de absorção de custos. Do ponto de vista do sistema, este é um sinal bastante claro: quando o sistema não consegue pagar os custos com regras, recorre à moralidade. Se tudo corre bem, o espírito de dedicação é louvável; se o custo é demasiado elevado, é sinal de que o indivíduo não está suficientemente consciente, e o próprio sistema não precisa de ser reavaliado.
Esta estrutura é, de facto, eficiente a curto prazo, pois a mobilização moral é mais rápida do que uma reforma estrutural, e mais barata do que ajustes orçamentais. Contudo, as suas consequências a longo prazo são bastante evidentes. Quando a dedicação se torna uma norma, o esforço é subestimado; quando o sacrifício é esperado, as fronteiras são invadidas. Com o tempo, o sistema acaba por depender de um determinado estado de coisas. Trabalhar mais é esperado; trabalhar menos é sinal de maturidade; não se preocupar é o comportamento correto. Resumindo numa frase: quando a dedicação é usada repetidamente para impulsionar o funcionamento do sistema, isso indica que a estrutura deixou de pagar pelos custos. Quando o esforço deixa de ser avaliado, a dedicação torna-se uma ferramenta institucionalizada. Por fim, essa estrutura também perde a sua legitimidade.
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Por que motivo um sistema insiste repetidamente na importância da dedicação? Num sistema que funciona bem, os custos são geralmente suportados pela própria estrutura, o trabalho corresponde à remuneração, o risco à compensação e a responsabilidade à autorização. Os indivíduos não precisam de ser constantemente solicitados a dedicar-se, pois o esforço já é avaliado pelo sistema, mas quando o sistema não consegue ou não quer assumir claramente esses custos, ele passa a transferi-los para os indivíduos através de escolhas morais. Assim, a dedicação passa a desempenhar uma nova função: fazer com que o esforço adicional pareça voluntário, e não uma obrigação estrutural.
Verás um fenómeno típico: objetivos que aumentam continuamente, recursos que não acompanham, mecanismos de compensação pouco claros, e uma ênfase repetida no espírito de dedicação. Essa dedicação deixa de ser apenas uma virtude e passa a ser um mecanismo de absorção de custos. Do ponto de vista do sistema, este é um sinal bastante claro: quando o sistema não consegue pagar os custos com regras, recorre à moralidade. Se tudo corre bem, o espírito de dedicação é louvável; se o custo é demasiado elevado, é sinal de que o indivíduo não está suficientemente consciente, e o próprio sistema não precisa de ser reavaliado.
Esta estrutura é, de facto, eficiente a curto prazo, pois a mobilização moral é mais rápida do que uma reforma estrutural, e mais barata do que ajustes orçamentais. Contudo, as suas consequências a longo prazo são bastante evidentes. Quando a dedicação se torna uma norma, o esforço é subestimado; quando o sacrifício é esperado, as fronteiras são invadidas. Com o tempo, o sistema acaba por depender de um determinado estado de coisas. Trabalhar mais é esperado; trabalhar menos é sinal de maturidade; não se preocupar é o comportamento correto. Resumindo numa frase: quando a dedicação é usada repetidamente para impulsionar o funcionamento do sistema, isso indica que a estrutura deixou de pagar pelos custos. Quando o esforço deixa de ser avaliado, a dedicação torna-se uma ferramenta institucionalizada. Por fim, essa estrutura também perde a sua legitimidade.