Proibição da publicidade de criptomoeda na Rússia: como os legisladores limitaram a indústria e o que vem a seguir

O Estado russo vem reforçando de forma consistente o controlo sobre a indústria de criptomoedas. Uma das principais iniciativas foi a introdução de uma proibição direta de publicidade de criptomoedas, que entrou em vigor em 2024 e até agora suscita muitas dúvidas tanto por parte das empresas quanto dos advogados. Vamos entender exatamente o que aconteceu, quem foi afetado pelas restrições e quais brechas permanecem na legislação.

Como os legisladores limitaram a publicidade de criptomoedas

Em 2024, a Rússia fez alterações importantes na lei «Sobre Publicidade». O artigo 7 deste documento foi complementado com novos pontos (13 e 14), que introduzem uma proibição direta de divulgar informações voltadas à promoção de criptomoedas e ativos financeiros digitais. Além disso, é proibida a publicidade de bens, trabalhos e serviços cujo objetivo seja a emissão e circulação de moeda digital.

A primeira vista, pode parecer uma mudança radical. Na verdade, os legisladores formalizaram algo que, de facto, já vinha sendo praticado na Rússia por meio de jurisprudência. Antes, projetos de criptomoedas tentavam contornar as restrições por meio de brechas. Agora, esses proibições estão claramente previstas na lei.

Porém, há um primeiro problema: a lei deixa muitas ambiguidades. Por exemplo, a definição de proibição não cobre toda a criptomoeda, mas apenas certos tipos dela. Isso gera confusão e estimula a migração de parte do negócio cripto para a zona cinzenta.

Onde há exceções: o que é proibido e o que não é

Primeiro ponto importante: nem toda divulgação de informações sobre criptomoedas é automaticamente publicidade. A lei fornece uma definição clara: publicidade é qualquer informação dirigida a um público indeterminado, com o objetivo de atrair interesse e promover o objeto no mercado.

De acordo com essa definição, não se enquadram:

  • Conteúdo científico, de pesquisa e educativo em conferências
  • Informações em chats fechados, grupos privados ou newsletters pessoais
  • Análises de tecnologia e materiais analíticos
  • Entrevistas com especialistas do setor
  • Notícias gerais

Outro ponto importante: a proibição se aplica a tipos específicos de ativos. A lei fala não de criptomoedas em geral, mas de «moeda digital». Segundo a definição na lei «Sobre Ativos Financeiros Digitais (AFD)», trata-se de dinheiro eletrônico ou ativo de investimento que existe exclusivamente em formato digital, não atrelado a moedas oficiais e que funciona segundo regras próprias, sem controle central.

Isso significa que stablecoins (criptomoedas atreladas ao câmbio de moeda fiduciária e geridas pelo emissor) tecnicamente não entram nessa definição. Muitos analistas suspeitam que isso ocorreu não por acaso, mas por negligência dos legisladores.

Quais ativos estão protegidos da proibição de publicidade

A legislação proibiu especificamente a publicidade de AFD indicados na parte 1.1 do artigo 3 da lei «Sobre Ativos Financeiros Digitais». Essa norma permite aos emissores limitar o público potencial — eles podem indicar que seus ativos estão disponíveis apenas para certas pessoas jurídicas ou empresários individuais que atendam a critérios específicos.

O objetivo da proibição é impedir a publicidade de instrumentos financeiros complexos para o público não qualificado. Os AFD restritos geralmente são produtos para investidores experientes, e promovê-los ao grande público representa risco de perdas financeiras.

Fora do alcance da lei ficam:

  • AFD ilimitados (que podem ser adquiridos por qualquer interessado)
  • Direitos digitais utilitários
  • NFT e memecoins
  • Todos os ativos digitais estrangeiros
  • Tokens de jogos

Quem é afetado pelas restrições

As restrições abrangem uma ampla gama de negócios cripto:

De fato, são atingidos por proibição:

  • Exchanges e plataformas de troca de criptomoedas
  • Plataformas de trading de criptoativos
  • Serviços de gestão de carteiras de criptomoedas
  • Campanhas de captação de investimentos via tokens (ICO)
  • Plataformas de negociação P2P

Mantêm-se em uma zona mais livre:

  • Cursos educativos sobre blockchain
  • Serviços de análise
  • Empresas de mineração
  • Desenvolvedores de soluções blockchain
  • Jogos baseados em blockchain
  • Plataformas de criação de NFTs

Fica claro que as maiores prejudicadas são as grandes exchanges e plataformas de criptomoedas, que antes promoviam ativamente seus serviços. Agora, precisam recorrer a canais mais discretos para atrair clientes ou sair da Rússia.

Regras práticas: como criar conteúdo sobre criptomoedas de forma legal

Se você atua na indústria cripto, é fundamental entender o que pode e o que não pode fazer:

Proibido:

  • Convites diretos à compra ou venda de criptomoedas
  • Publicidade de serviços de exchanges e plataformas de troca
  • Promoção de torneios de trading com mecânica «prêmio = cripto»
  • Divulgação de ICO com objetivo de captar investidores

Permitido:

  • Publicar conteúdo educativo sobre tecnologia blockchain
  • Falar sobre tendências do mercado cripto sem incentivar ações
  • Realizar entrevistas com especialistas do setor
  • Fazer análises de soluções tecnológicas
  • Discutir a economia de protocolos DeFi de forma científica e educativa

Princípio-chave: informar é seguro. Incentivar a ação é ilegal.

Cinco formas de evitar violar a lei de publicidade de criptomoedas

  1. Use linguagem neutra. Em vez de «invista em Bitcoin», diga «Bitcoin demonstra características tecnológicas interessantes».

  2. Foque na tecnologia, não na rentabilidade. Explique o funcionamento de contratos inteligentes, sem mencionar ganhos potenciais.

  3. Evite nomes específicos de serviços. Não faça publicidade de exchanges específicas, use expressões genéricas como «plataformas de cripto».

  4. Trabalhe com audiências fechadas. Newsletters para profissionais do setor ou mensagens em chats privados não configuram publicidade.

  5. Mantenha distância de vendas. Separe ao máximo conteúdo educativo de propostas comerciais.

Consequências de violar a lei: multas e bloqueios

A violação da proibição de publicidade de criptomoedas acarreta consequências sérias:

Para os anunciantes (empresas que veiculam anúncios):

  • Multas de até 500.000 rublos por infração
  • Bloqueio de contas de publicidade nas plataformas
  • Possível responsabilização criminal em caso de reincidência

Para as plataformas (redes sociais, sites, apps que veicularam o conteúdo):

  • Multas de até 500.000 rublos
  • Bloqueio de aplicativos ou sites na Rússia
  • Restrição de acesso

As multas são aplicadas por cada infração, não por conjunto. Ou seja, se uma empresa publicou anúncios em vários locais, pode ser multada por cada um deles.

Zonas cinzentas e o futuro da regulamentação da publicidade de criptomoedas

Apesar da formalização das proibições, o lei ainda apresenta várias lacunas. Alguns tipos de negócios cripto permanecem em zona de indefinição:

  • Jogos com tokens. Tecnicamente, são jogos, não publicidade de criptomoedas. Mas se fizerem foco na atratividade do token, pode ser considerado violação.

  • NFT e memecoins. Formalmente, não entram na definição de AFD, mas não há recomendações claras.

  • Plataformas P2P. Anúncios pessoais de compra e venda em sites P2P podem não ser publicidade, mas a plataforma em si está sujeita às restrições.

Muitas empresas esperam que os tribunais interpretem as formulações vagas a favor do negócio. Contudo, essa é uma estratégia arriscada.

Provavelmente, nos próximos anos, os legisladores irão esclarecer as definições de proibição de publicidade de criptomoedas para fechar brechas existentes. Já há especulações de que stablecoins também poderão ser incluídas na proibição na próxima revisão da lei.

As empresas devem tratar com seriedade a legislação atual e não confiar em mudanças futuras. Cautela e uma abordagem conservadora na divulgação de informações sobre criptomoedas são o mínimo necessário para segurança jurídica.

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