FinTech Weekly x Dia Internacional da Mulher: Entrevista com Laura Galdikiene


Laura Galdikiene é a Economista Chefe na ConnectPay, com vasta experiência em pesquisa económica, tendências financeiras e análise de mercado.


Descubra as principais notícias e eventos do setor fintech!

Subscreva a newsletter do FinTech Weekly

Lida por executivos da JP Morgan, Coinbase, Blackrock, Klarna e outros


O setor fintech está a transformar os serviços financeiros a um ritmo sem precedentes, mas um desafio permanece—garantir que os sistemas financeiros funcionem para todos. Como Economista Chefe na ConnectPay, Laura Galdikiene dedicou a sua carreira a analisar tendências financeiras, identificar oportunidades de inovação e defender a inclusão económica.

Nesta entrevista, a Laura partilha as suas perspetivas sobre como o fintech pode melhorar o acesso aos serviços financeiros, o papel da economia comportamental na tomada de decisões financeiras mais inteligentes e porque os pagamentos transfronteiriços continuam a ser uma das maiores áreas de disrupção. Ela também reflete sobre a sua carreira em bancos tradicionais e fintech, discutindo síndrome do impostor, equilíbrio entre vida profissional e pessoal e as mudanças sistémicas necessárias para reduzir a disparidade salarial de género.

Como parte da iniciativa do FinTech Weekly para o Dia Internacional da Mulher, temos orgulho em apresentar a sua perspetiva sobre o futuro dos serviços financeiros e como o fintech pode impulsionar mudanças significativas tanto a nível individual como global.


R: Como a sua experiência como economista em bancos tradicionais e fintech moldou a sua perspetiva sobre o futuro dos serviços financeiros, e onde vê as maiores oportunidades de inovação?

L: Trabalhar como economista sempre me impressionou pelo número de indivíduos e pequenas empresas em todo o mundo que ainda não têm acesso a serviços financeiros ou enfrentam custos elevados ao utilizá-los. Isto limita a sua estabilidade financeira e potencial de crescimento.

O fintech tem feito avanços significativos na melhoria do acesso, mas ainda há muito por fazer. Uma área onde vejo grande potencial de inovação é nos pagamentos transfronteiriços e remessas.

Muitas famílias em países em desenvolvimento dependem de remessas, mas as taxas de transferência continuam elevadas—em média cerca de 6%, e em alguns casos, atingindo 10%. Isto afeta diretamente as famílias que dependem destes fundos para necessidades básicas. Em escala maior, isto importa para economias inteiras—um estudo do Banco Mundial revelou que um aumento de 10% nas remessas leva a um aumento permanente de 0,66% no PIB.

No entanto, ineficiências como taxas elevadas e atrasos impedem que estes benefícios sejam totalmente realizados. O fintech tem o potencial de revolucionar este espaço, tornando as transações transfronteiriças mais rápidas, baratas e acessíveis.

R: Com base na sua experiência em bancos e fintech, quais são as principais diferenças na forma como estes setores abordam a previsão económica e a avaliação de risco?

L: Os bancos tradicionais geralmente dispõem de mais recursos, incluindo equipas dedicadas à previsão económica. As empresas fintech, por outro lado, frequentemente dependem de dados externos e relatórios do setor.

No entanto, não acredito que isto crie uma grande desvantagem, especialmente hoje, quando as previsões económicas se tornam rapidamente desatualizadas devido a desenvolvimentos globais. Em muitos casos, as previsões económicas internas servem mais como uma ferramenta de marketing do que como um fator decisivo para as decisões de negócio. O que realmente importa é como as empresas—sejam bancos ou fintechs—se adaptam às condições económicas em rápida mudança e aos riscos em tempo real.

R: A sua investigação inclui economia comportamental e experimental—como é que estes campos se cruzam com o fintech, e que insights podem fornecer para a tomada de decisões financeiras?

L: A finança comportamental estuda como as pessoas realmente tomam decisões financeiras, muitas vezes desviando-se de escolhas puramente racionais devido a vieses cognitivos. As empresas fintech podem usar estes insights para criar ferramentas financeiras melhores que ajudem as pessoas a tomar decisões mais inteligentes.

Por exemplo, podem analisar comportamentos de gasto, detectar hábitos financeiros irracionais e fornecer recomendações personalizadas. Princípios de finança comportamental como aversão à perda e mentalidade de rebanho podem ajudar os fintechs a criar interfaces amigáveis que incentivem um melhor orçamento, investimentos mais inteligentes e planeamento financeiro a longo prazo.

Ao integrar a ciência comportamental, o fintech pode melhorar a literacia financeira, reduzir decisões impulsivas e promover hábitos financeiros mais saudáveis.

R: Ao longo da sua carreira, que desafios enfrentou enquanto mulher nas indústrias da economia e das finanças, e como os superou?

L: Não enfrentei obstáculos maiores apenas por ser mulher na economia, mas no início da minha carreira, lutei contra a síndrome do impostor—uma experiência comum para muitas mulheres. A dúvida, ansiedade e perfeccionismo podem ser difíceis de superar, especialmente numa área onde há poucos modelos femininos. Felizmente, tive mentoras excelentes desde cedo, que acreditaram em mim, o que ajudou a fortalecer a minha confiança.

No entanto, o maior desafio foi equilibrar a vida familiar com as minhas aspirações profissionais. Tenho três filhos e, embora adore o meu trabalho e os vários projetos em que estou envolvida, incluindo investigação e ensino, equilibrar tudo pode ser exaustivo.

Por vezes, até considerei afastar-me da carreira. O que me ajudou foi: tirar pausas curtas quando necessário (pois pode sempre regressar—o seu bem-estar é mais importante), garantir oportunidades iguais de carreira com o meu parceiro e deixar de lado o perfeccionismo. Encontrar equilíbrio nunca é fácil, mas é possível com a mentalidade certa e uma rede de apoio.

R: Os dados mostram que as mulheres ainda ganham menos do que os homens, muitas vezes devido a fatores como trabalho a tempo parcial e acesso limitado a horas extras ou remuneração adicional por responsabilidades familiares. Acredita que as mulheres ainda têm de escolher entre família e carreira, e como pode a indústria apoiar melhor o equilíbrio entre vida profissional e pessoal?

L: Sim, a disparidade salarial de género ainda existe, e uma das principais razões é que as mulheres assumem mais responsabilidades familiares do que os homens. Arranjos de trabalho flexíveis são essenciais para resolver esta questão. A mudança para modelos híbridos durante a pandemia foi particularmente benéfica—uma investigação de Nicholas Bloom (Stanford) revelou que o trabalho híbrido reduziu as taxas de abandono feminino em 54%, com impacto mínimo nos homens.

No entanto, há um limite para o que as empresas podem fazer. A verdadeira mudança precisa acontecer a nível societal. Normas sociais ainda desencorajam as mulheres de competir por cargos melhor remunerados, o que contribui para a disparidade salarial. A investigação do economista comportamental Uri Gneezy mostra que as mulheres competem menos em sociedades patriarcais, mas competem igualmente com os homens em sociedades matrilineares—sugerindo que as diferenças de género na disposição para competir são aprendidas, não inatas. Para fechar a disparidade, é preciso mudar a forma como vemos e apoiamos as mulheres tanto no trabalho como em casa.

R: Que conselho daria às mulheres que querem seguir carreiras em economia e fintech, e que passos podem as empresas dar para promover um ambiente mais inclusivo para profissionais femininas na área?

L: Economia, finanças e tecnologia continuam a ser áreas dominadas por homens, e isto não é apenas um desafio para as mulheres—é uma oportunidade perdida para as empresas e para a sociedade. Equipes diversificadas trazem novas perspetivas, impulsionam a inovação e melhoram o desempenho financeiro. Apesar da disparidade de género, encorajo as mulheres a avançar, pois estas indústrias oferecem oportunidades de carreira empolgantes. De facto, o Fórum Económico Mundial prevê que a engenharia fintech será a segunda categoria de emprego de crescimento mais rápido até 2030.

Para criar um ambiente mais inclusivo para profissionais femininas, as empresas podem oferecer arranjos de trabalho flexíveis, como horários híbridos, para ajudar as mulheres a equilibrar trabalho e família. Além disso, podem garantir maior representação feminina em cargos de liderança, para que as jovens mulheres possam ver modelos de referência em posições de topo.

COINON-4,66%
Ver original
Esta página pode conter conteúdos de terceiros, que são fornecidos apenas para fins informativos (sem representações/garantias) e não devem ser considerados como uma aprovação dos seus pontos de vista pela Gate, nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Declaração de exoneração de responsabilidade para obter mais informações.
  • Recompensa
  • Comentar
  • Republicar
  • Partilhar
Comentar
0/400
Nenhum comentário
  • Fixar

Negocie cripto em qualquer lugar e a qualquer hora
qrCode
Digitalizar para transferir a aplicação Gate
Novidades
Português (Portugal)
  • 简体中文
  • English
  • Tiếng Việt
  • 繁體中文
  • Español
  • Русский
  • Français (Afrique)
  • Português (Portugal)
  • Bahasa Indonesia
  • 日本語
  • بالعربية
  • Українська
  • Português (Brasil)