O diretório telefónico dos EUA pode fazer a China ficar sem internet? A verdade sobre os servidores raiz e o sistema de defesa revelados

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As questões de segurança na internet estão sempre propensas a suscitar preocupações. Já houve quem usasse a expressão “lista telefónica dos Estados Unidos” para comparar os servidores raiz controlados pelos EUA — se os Estados Unidos controlarem o “repositório de endereços” global da internet, será que, em momentos críticos, a China será realmente desconectada? Esta questão soa assustadora, mas a verdade não é tão pessimista assim.

O que exatamente são os servidores raiz: o “guia telefónico” da internet

Muita gente associa o mistério dos servidores raiz ao seu nome, mas na prática o seu funcionamento não é complicado. Os servidores raiz funcionam como o “guia telefónico” do mundo da internet — quando você digita um endereço no navegador, o sistema precisa primeiro consultar o servidor raiz para encontrar o endereço IP correspondente, antes de abrir a página.

Mas o ponto-chave é que os servidores raiz apenas indicam a direção. Eles funcionam como uma central de consulta, dizendo “para procurar informações de Beijing, vá ao centro de consulta do código de área 010”, sendo que os detalhes do número de telefone e informações específicas ainda são obtidos por servidores de nível inferior. Este design em camadas permite que a internet seja escalável e tolerante a falhas.

O cenário na era IPv4: uma vantagem herdada do passado

A distribuição global dos servidores raiz revela claramente características de geopolítica. Das 13 unidades de servidores raiz baseadas no protocolo IPv4, os EUA detêm 10 — 1 servidor raiz principal e 8 servidores secundários nos EUA, outros 2 na Europa, 1 no Japão e 1 na Coreia do Sul. Este padrão foi formado nos primórdios do desenvolvimento da internet, quando a infraestrutura global era majoritariamente liderada pelos EUA.

Historicamente, os EUA aproveitaram essa vantagem. Durante a Guerra do Iraque em 2003, os EUA chegaram a interromper a resolução de nomes do Iraque, fazendo com que o país “desaparecesse” da internet por semanas. Em 2004, a Líbia enfrentou uma situação semelhante — ficou desconectada por 3 dias. Esses casos fizeram muitos países e regiões se sentirem inseguros.

Contudo, esses eventos ocorreram há mais de 20 anos, numa época em que o sistema de governança da internet ainda não era totalmente desenvolvido. Hoje, a situação mudou fundamentalmente.

O sistema de defesa da China: servidores espelho raiz e implantação local

Desde 2003-2004, quando a China percebeu que os servidores raiz poderiam se tornar uma ameaça potencial, começou a tomar medidas. A solução mais direta foi a implantação de servidores espelho raiz — a China fez backup completo dos dados dos servidores raiz globais, como se tivesse uma cópia “completa da lista telefónica”.

Essa implantação local traz duas vantagens principais: primeiro, ao navegar normalmente, não é necessário consultar os servidores dos EUA, o que aumenta a velocidade de resolução; segundo, mesmo que os servidores raiz internacionais tenham problemas, os servidores espelho locais podem continuar operando. Até meados de 2025, o Instituto de Informação e Comunicação da China instalou 3 servidores espelho raiz em Guangzhou, Wuhan e Zhengzhou, e, somando às instalações anteriores, já há 10 servidores espelho no país. Esses espelhos sincronizam dados em tempo real com os servidores raiz originais, podendo suportar completamente os serviços de rede domésticos de forma independente.

Mais importante ainda, esse sistema local possui uma estrutura de resolução de nomes autônoma — os servidores recursivos internos podem apontar diretamente para os seus próprios servidores raiz, mesmo que a conexão com os servidores raiz internacionais seja interrompida, a rede local funciona normalmente. É como o sistema telefónico doméstico: mesmo sem fazer chamadas internacionais, as chamadas internas continuam fluindo sem problemas. Funções essenciais como trabalho, pagamentos e comunicação permanecem inalteradas.

A nova era IPv6: rompendo o monopólio dos 13 servidores raiz

A verdadeira mudança no padrão dos servidores raiz depende da atualização do protocolo da internet. Com o lançamento do IPv6, surge uma oportunidade de uma reformulação completa.

O “Plano Snowman”, iniciado em 2016, marcou um avanço importante da China nesta área. Foram instalados 25 servidores raiz IPv6 em 16 países ao redor do mundo, sendo que a China possui 4 — 1 servidor raiz principal e 3 secundários. É a primeira vez que a China detém uma autonomia real dentro do sistema de servidores raiz internacional.

O significado dessas 4 unidades vai além do mero aumento numérico; simbolizam o início do fim do monopólio dos servidores raiz dos EUA. Atualmente, o cenário global é de 13 servidores IPv4 antigos mais 25 novos servidores IPv6. Os EUA não podem mais exercer uma dominação absoluta como antes.

O ritmo de desenvolvimento do IPv6 na China é impressionante. Até setembro de 2025, os usuários ativos de IPv6 na China atingiram 865 milhões, representando 77,02% do total de internautas. Este número cresceu 294 vezes em relação aos 2,93 milhões de 2017, consolidando a China na liderança mundial. Em outras palavras, mesmo que ocorram problemas com os servidores raiz IPv4, esses mais de 8 bilhões de usuários de IPv6 podem continuar acessando a internet normalmente, sem qualquer impacto.

Hardware e software autônomos nacionais: do sistema Hongfeng a servidores de alto desempenho

A defesa da infraestrutura de rede na China não se limita ao número de servidores, mas também à capacidade de pesquisa e desenvolvimento autônoma.

O Centro de Engenharia de Domínios do Instituto de Informação e Comunicação da China levou 8 anos para desenvolver o sistema “Hongfeng” — um software de domínio totalmente autônomo. Depois, colaboraram com a Sugon para criar servidores de nomes nacionais, que foram executados com sucesso em chips nacionais. Isso quebrou o monopólio de tecnologias estrangeiras em infraestrutura crítica.

No desempenho, houve avanços notáveis: servidores de alta performance chineses operam a uma velocidade 1,6 vezes maior que seus equivalentes internacionais, e um único servidor consegue resistir a ataques DDoS de 10G de largura de banda. Isso significa que, mesmo que os EUA tentem paralisar o sistema de nomes da China por ataques massivos, tecnicamente já é muito difícil ter sucesso.

Além disso, a China liderou a elaboração do padrão de segurança cibernética IETF RFC8416, que foi adotado como padrão internacional. Isso demonstra que a China conquistou uma voz real na área de segurança de rede, deixando de seguir apenas as regras americanas.

Garantias legais e estratégias práticas para a segurança dos domínios

Alguém pode perguntar: os EUA não já bloquearam o .com do Irã? Em 2021, os EUA bloquearam 36 sites iranianos, o que teve impacto considerável.

Porém, é importante distinguir isso de uma “desconexão total”. Após trocar para o domínio .ir, os sites iranianos voltaram a ser acessíveis, embora com restrições internacionais. A China já percebeu a questão fundamental.

Embora muitas empresas usem domínios .com, o domínio de topo nacional da China .cn é totalmente gerido pelo próprio país, operado pelo China Internet Network Information Center (CNNIC). Os EUA não têm autoridade para interferir arbitrariamente. Em momentos críticos, os serviços podem ser rapidamente transferidos para o domínio .cn, sem impacto na navegação doméstica. Para acessos internacionais, podem ser utilizados os servidores raiz IPv6 e espelhos globais para garantir o funcionamento. A China nunca será como o Iraque, que foi completamente apagado da internet.

Do ponto de vista legal, os EUA também não podem agir facilmente contra a China. A ICANN (Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números) foi por muito tempo controlada pelo Departamento de Comércio dos EUA, mas já foi transferida para uma gestão internacional. Embora os EUA ainda tenham influência, não podem mais impor suas regras de forma unilateral como antes.

Distribuição global de espelhos e sistema de defesa integrado

Até o momento, o número de servidores espelho globais ultrapassou 1000, com uma implantação cada vez mais densa na China, cobrindo as principais cidades e regiões. Com as vantagens do IPv6, o suporte de hardware e software nacionais, além de um sistema legal robusto, a defesa da rede chinesa atingiu uma estrutura de múltiplas camadas e proteção abrangente.

A ideia de que “os EUA podem usar servidores raiz para desconectar a China” é, na verdade, fruto de uma má compreensão tecnológica ou de uma estratégia de medo intencional. Compreendendo o funcionamento dos servidores raiz, as diferenças entre IPv4 e IPv6, e o sistema de defesa local da China, fica claro que o padrão herdado do IPv4, embora tenha sido uma preocupação no passado, já não representa mais uma ameaça de domínio absoluto. A linha de defesa da China na segurança da rede está suficientemente sólida.

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