Uma nova ameaça paira sobre a indústria das criptomoedas. De acordo com o relatório anual da empresa de análise Chainalysis, publicado no início de janeiro, em 2025, fraudes e esquemas fraudulentos causaram prejuízos de 17 mil milhões de dólares. Mas o mais preocupante — os criminosos mudaram radicalmente os seus métodos de ataque, abandonando exploits técnicos complexos em favor de técnicas baseadas na confiança humana e na inteligência artificial.
A ameaça deixou de ser exclusivamente uma questão de hacking de contratos inteligentes ou comprometimento de sistemas de bolsas. Em vez disso, a atividade criminosa em criptoativos concentrou-se em engenharia social, deepfakes e esquemas automatizados de imitação, que se revelaram muito mais eficazes do que os ataques cibernéticos tradicionais.
Escala das perdas e mudança de tática de ataque
As dimensões do fraude em criptomoedas em 2025 superaram todas as expectativas: 17 mil milhões de dólares — não é apenas um número, é um sinal de uma ameaça séria para todos os participantes do mercado. Ainda mais preocupante, os criminosos reorientaram radicalmente os seus métodos. Se anteriormente a principal ameaça eram ataques cibernéticos à infraestrutura, agora a maior ameaça provém de esquemas de manipulação social de baixa tecnologia, mas altamente eficazes.
Segundo a Chainalysis, as fraudes de falsificação de identidade aumentaram 1400% em um ano. Este crescimento explosivo foi acompanhado por uma mudança na abordagem dos criminosos: passaram de envios massivos para ataques direcionados e altamente lucrativos a investidores de alto património. O valor médio de prejuízo por vítima aumentou significativamente, indicando uma abordagem mais sofisticada e calculista por parte dos malfeitores.
Inteligência artificial como ferramenta de lucro
A aplicação de inteligência artificial em fraudes com criptomoedas abriu novos horizontes para os criminosos. De acordo com a Chainalysis, fraudes que utilizam IA geram 4,5 vezes mais receita do que esquemas tradicionais. A tecnologia permite automatizar a criação de perfis falsos, que imitam funcionários de suporte, órgãos governamentais ou insiders confiáveis da indústria.
Deepfakes e algoritmos generativos facilitaram significativamente a escalabilidade da atividade criminosa. Os criminosos agora podem criar conteúdos de vídeo e áudio convincentes, que enganam até vítimas cautelosas. Esta ameaça de automação transforma cada utilizador do ecossistema de criptomoedas numa potencial vítima.
Casos reais e risco crescente
No Reino Unido, foi documentado um caso em que um homem perdeu quase 2,5 milhões de dólares devido a uma fraude com bitcoin em 2025. A polícia local do Norte de Gales chamou a este fenómeno de «uma nova tendência preocupante», onde os criminosos usam medo e pânico, construindo esquemas complexos de engenharia social capazes de enganar até os detentores mais atentos de criptoativos.
Dados históricos destacam a dimensão do problema: entre 2020 e o final de 2023, quase 100.000 pessoas no Reino Unido tornaram-se vítimas de fraudes de investimento, totalizando 2,6 mil milhões de libras esterlinas (aproximadamente 3,5 mil milhões de dólares). Isso equivalia a cerca de 17,5 milhões de dólares por semana. As autoridades policiais enfatizam que estes números referem-se apenas a casos registados, sendo provável que o número real de vítimas seja significativamente maior.
Vozes da indústria: alertas de praticantes
Lior Aizik, cofundador e diretor operacional da bolsa de criptomoedas XBO, confirma que a ameaça de fraudes de falsificação de identidade está a crescer rapidamente. Ele já enfrentou situações em que criminosos usaram o seu nome e criaram perfis falsos para contactar representantes do setor, pedindo transferências de dinheiro, fingindo ser funcionários da XBO.
Aizik alerta os utilizadores da indústria de criptomoedas: nunca divulguem dados confidenciais, mesmo àqueles que se apresentam como funcionários de suporte. «Se a mensagem parecer urgente ou contiver um pedido de confidencialidade, quase sempre é um sinal de fraude», adverte o especialista. A principal estratégia dos criminosos baseia-se na criação de uma falsa sensação de urgência e confiança, e não em vulnerabilidades técnicas.
Mudança de paradigma: de hacking para engano
A evolução da ameaça às criptomoedas é de fundamental importância. Apesar de os ataques de hacking continuarem a representar um risco constante — em 2024, foram roubados cerca de 2,2 mil milhões de dólares através de exploits técnicos — os esquemas fraudulentos cada vez mais dependem de algo mais difícil de eliminar do que vulnerabilidades no código: a confiança humana.
Esta transformação significa que a segurança de carteiras e sistemas de bolsas já não é suficiente como escudo de proteção. A ameaça agora assume um caráter mais personalizado, exigindo de cada participante um elevado nível de pensamento crítico e consciência dos métodos de manipulação social.
A indústria de criptomoedas precisa reconhecer que a nova vaga de fraudes representa uma ameaça existencial não tanto para a infraestrutura tecnológica, mas para a confiança dos participantes na ecossistema como um todo. Combater esta ameaça requer uma abordagem abrangente, incluindo educação dos utilizadores, implementação de verificação multifatorial e melhoria contínua dos métodos de deteção de tentativas de engenharia social.
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ameaça de criptomoedas: como falsificações e IA se tornaram a principal arma dos golpistas
Uma nova ameaça paira sobre a indústria das criptomoedas. De acordo com o relatório anual da empresa de análise Chainalysis, publicado no início de janeiro, em 2025, fraudes e esquemas fraudulentos causaram prejuízos de 17 mil milhões de dólares. Mas o mais preocupante — os criminosos mudaram radicalmente os seus métodos de ataque, abandonando exploits técnicos complexos em favor de técnicas baseadas na confiança humana e na inteligência artificial.
A ameaça deixou de ser exclusivamente uma questão de hacking de contratos inteligentes ou comprometimento de sistemas de bolsas. Em vez disso, a atividade criminosa em criptoativos concentrou-se em engenharia social, deepfakes e esquemas automatizados de imitação, que se revelaram muito mais eficazes do que os ataques cibernéticos tradicionais.
Escala das perdas e mudança de tática de ataque
As dimensões do fraude em criptomoedas em 2025 superaram todas as expectativas: 17 mil milhões de dólares — não é apenas um número, é um sinal de uma ameaça séria para todos os participantes do mercado. Ainda mais preocupante, os criminosos reorientaram radicalmente os seus métodos. Se anteriormente a principal ameaça eram ataques cibernéticos à infraestrutura, agora a maior ameaça provém de esquemas de manipulação social de baixa tecnologia, mas altamente eficazes.
Segundo a Chainalysis, as fraudes de falsificação de identidade aumentaram 1400% em um ano. Este crescimento explosivo foi acompanhado por uma mudança na abordagem dos criminosos: passaram de envios massivos para ataques direcionados e altamente lucrativos a investidores de alto património. O valor médio de prejuízo por vítima aumentou significativamente, indicando uma abordagem mais sofisticada e calculista por parte dos malfeitores.
Inteligência artificial como ferramenta de lucro
A aplicação de inteligência artificial em fraudes com criptomoedas abriu novos horizontes para os criminosos. De acordo com a Chainalysis, fraudes que utilizam IA geram 4,5 vezes mais receita do que esquemas tradicionais. A tecnologia permite automatizar a criação de perfis falsos, que imitam funcionários de suporte, órgãos governamentais ou insiders confiáveis da indústria.
Deepfakes e algoritmos generativos facilitaram significativamente a escalabilidade da atividade criminosa. Os criminosos agora podem criar conteúdos de vídeo e áudio convincentes, que enganam até vítimas cautelosas. Esta ameaça de automação transforma cada utilizador do ecossistema de criptomoedas numa potencial vítima.
Casos reais e risco crescente
No Reino Unido, foi documentado um caso em que um homem perdeu quase 2,5 milhões de dólares devido a uma fraude com bitcoin em 2025. A polícia local do Norte de Gales chamou a este fenómeno de «uma nova tendência preocupante», onde os criminosos usam medo e pânico, construindo esquemas complexos de engenharia social capazes de enganar até os detentores mais atentos de criptoativos.
Dados históricos destacam a dimensão do problema: entre 2020 e o final de 2023, quase 100.000 pessoas no Reino Unido tornaram-se vítimas de fraudes de investimento, totalizando 2,6 mil milhões de libras esterlinas (aproximadamente 3,5 mil milhões de dólares). Isso equivalia a cerca de 17,5 milhões de dólares por semana. As autoridades policiais enfatizam que estes números referem-se apenas a casos registados, sendo provável que o número real de vítimas seja significativamente maior.
Vozes da indústria: alertas de praticantes
Lior Aizik, cofundador e diretor operacional da bolsa de criptomoedas XBO, confirma que a ameaça de fraudes de falsificação de identidade está a crescer rapidamente. Ele já enfrentou situações em que criminosos usaram o seu nome e criaram perfis falsos para contactar representantes do setor, pedindo transferências de dinheiro, fingindo ser funcionários da XBO.
Aizik alerta os utilizadores da indústria de criptomoedas: nunca divulguem dados confidenciais, mesmo àqueles que se apresentam como funcionários de suporte. «Se a mensagem parecer urgente ou contiver um pedido de confidencialidade, quase sempre é um sinal de fraude», adverte o especialista. A principal estratégia dos criminosos baseia-se na criação de uma falsa sensação de urgência e confiança, e não em vulnerabilidades técnicas.
Mudança de paradigma: de hacking para engano
A evolução da ameaça às criptomoedas é de fundamental importância. Apesar de os ataques de hacking continuarem a representar um risco constante — em 2024, foram roubados cerca de 2,2 mil milhões de dólares através de exploits técnicos — os esquemas fraudulentos cada vez mais dependem de algo mais difícil de eliminar do que vulnerabilidades no código: a confiança humana.
Esta transformação significa que a segurança de carteiras e sistemas de bolsas já não é suficiente como escudo de proteção. A ameaça agora assume um caráter mais personalizado, exigindo de cada participante um elevado nível de pensamento crítico e consciência dos métodos de manipulação social.
A indústria de criptomoedas precisa reconhecer que a nova vaga de fraudes representa uma ameaça existencial não tanto para a infraestrutura tecnológica, mas para a confiança dos participantes na ecossistema como um todo. Combater esta ameaça requer uma abordagem abrangente, incluindo educação dos utilizadores, implementação de verificação multifatorial e melhoria contínua dos métodos de deteção de tentativas de engenharia social.