As 10 moedas mais desvalorizadas do mundo em 2025: quando o seu dinheiro perde metade do valor numa noite

Já imaginou receber o salário e no dia seguinte perceber que o seu poder de compra encolheu pela metade? Isto não é ficção científica, mas uma realidade diária em muitos países do mundo. Quando se fala do dinheiro mais barato do mundo, muitas pessoas pensam imediatamente no real brasileiro. De fato, no ano passado ficámos em último lugar no ranking global, com uma desvalorização de 21,52%, mas quando se vê uma verdadeira catástrofe monetária, percebe-se o que significa ser “relativamente sortudo”.

No mês de setembro do ano passado, recebi uma foto de um amigo do Líbano via WhatsApp. Ele segurava uma pilha de notas, que pareciam dinheiro do jogo Monopoly — mais de 50 mil libras libanesas, que na verdade valiam apenas 3 reais brasileiros. Naquele momento, percebi que há falhas no sistema financeiro global muito mais extremas do que imaginamos.

Por que motivo uma moeda pode tornar-se a “mais barata”?

A desvalorização da moeda nunca acontece por acaso. É sempre o resultado de múltiplas bombas económicas a explodir em simultâneo.

Inflação descontrolada: o Brasil preocupa-se com uma inflação de 7%, mas há países onde os preços duplicam mensalmente. Isto chama-se hiperinflação, e pode destruir as poupanças de um país em poucos anos.

Colapso político: golpes de Estado, guerras civis, mudanças de governo anuais. Sem o Estado de Direito, os investidores fogem, e a moeda local transforma-se em papel colorido.

Sanções internacionais: quando o sistema financeiro global fecha as portas a um país, este não consegue participar no comércio internacional, e a sua moeda perde completamente o valor.

Restrições nas reservas cambiais: o banco central não tem dólares suficientes para estabilizar a taxa de câmbio, como uma conta bancária à beira da falência — tudo fica fora de controlo.

Fuga de capitais: até os residentes de um país deixam de confiar na sua própria moeda, escondendo dólares. É aí que se percebe a gravidade do problema.

Ranking das moedas mais baratas do mundo: começando pelo primeiro lugar

1. Líbano (LBP): o absoluto derrotado

Taxa de câmbio: 100.000 libras libanesas = 61 reais (setembro de 2025)

Este é o rei do ranking. A taxa oficial diz que 1507,5 libras trocam por 1 dólar, mas isso é apenas um número no papel. No mercado negro, precisa-se de mais de 90 mil libras para trocar por 1 dólar. Os bancos limitam os levantamentos, as lojas só aceitam dólares. Motoristas de Uber em Beirute recusam libras e exigem dólares. Assim se vê a moeda perder toda a confiança.

2. Irã (IRR): o fantasma das sanções

Taxa de câmbio: 1 real = 7.751,94 riais iranianos

As sanções dos EUA transformaram o rial num “dinheiro de jogo”. Com 100 reais, torna-se milionário no Irã. A taxa oficial e os preços reais na rua divergem completamente. Curiosamente, muitos jovens iranianos estão a fugir em massa para as criptomoedas. Bitcoin e Ethereum tornaram-se a sua verdadeira “moeda nacional” — mais confiável do que o próprio rial.

3. Vietname (VND): crescimento, mas ainda fraco

Taxa de câmbio: cerca de 25.000 dongues = 1 dólar

A economia vietnamita cresce, mas o dongue é historicamente fraco. Com 100 mil dongues no ATM, dá para fazer um filme. Para turistas, é ótimo — 50 dólares rendem uma semana em Hanói. Mas para os vietnamitas, os produtos importados são absurdamente caros.

4. Laos (LAK): desvalorização dos vizinhos

Taxa de câmbio: cerca de 21.000 kip = 1 dólar

A economia do Laos é pequena, dependente de importações, e a inflação está sempre presente. Na fronteira com a Tailândia, os comerciantes não aceitam kip, só baht.

5. Indonésia (IDR): fraqueza de uma grande potência

Taxa de câmbio: cerca de 15.500 rupias = 1 dólar

A Indonésia é a maior economia do Sudeste Asiático, mas a rupia não se recupera desde 1998. A vantagem é que turistas brasileiros podem gastar cerca de 200 reais por dia em Bali, como reis.

6. Usbequistão (UZS): reformas ainda insuficientes

Taxa de câmbio: cerca de 12.800 sum (som) = 1 dólar

Nos últimos anos, o Uzbequistão implementou reformas, mas o sum ainda reflete décadas de isolamento económico. O país quer atrair investimento, mas a moeda ainda não transmite confiança.

7. Guiné (GNF): a maldição dos recursos

Taxa de câmbio: cerca de 8.600 francos = 1 dólar

A Guiné possui ouro e bauxita, mas a instabilidade política e a corrupção impedem que os recursos se transformem numa moeda forte.

8. Paraguai (PYG): o nosso vizinho

Taxa de câmbio: cerca de 7,42 guaranis = 1 real brasileiro

A economia do Paraguai é relativamente estável, mas o guarani é tradicionalmente fraco. Para nós, a boa notícia é que as compras em Assunção continuam a ser um paraíso.

9. Madagascar (MGA): a moeda do país mais pobre

Taxa de câmbio: cerca de 4.500 ariarys = 1 dólar

Madagascar é um dos países mais pobres do mundo, e o ariary reflete essa realidade. Os produtos importados são caríssimos, e a capacidade de compra internacional dos habitantes é quase nula.

10. Burundi (BIF): a tragédia final

Taxa de câmbio: cerca de 550 francos = 1 real brasileiro

O Burundi vive uma instabilidade política constante, e o franco é tão fraco que as pessoas precisam de sacos de dinheiro para fazer compras.

Lições para investidores brasileiros

Este ranking não é apenas uma lista divertida de dados. Ele ensina três coisas:

Primeiro, risco e oportunidade coexistem: países com moedas em desvalorização estão frequentemente em crise, mas para turistas com moedas fortes, esses lugares são um paraíso. O seu real pode comprar 10 vezes mais.

Segundo, a estabilidade é fundamental: ao acompanhar as histórias do dinheiro mais barato do mundo, percebe-se por que as políticas de estabilidade do banco central são tão importantes. Quando a confiança desaparece, nem toda a quantidade de papel consegue salvar.

Terceiro, diversificação é a melhor defesa: investidores devem aprender a distribuir riscos entre vários países e ativos. O destino de uma moeda pode mudar, mas as oportunidades no mercado global sempre existirão.

Monitorar esses indicadores económicos não é apenas um exercício académico — ajuda a entender como a inflação, a corrupção e a instabilidade podem destruir riqueza na vida real. É, sem dúvida, a melhor aula de macroeconomia.

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