Quem Está Realmente Endividado por Possuir Títulos do Tesouro dos EUA? Compreendendo a Pergunta de $36,2 Trilhões

Quando os economistas falam sobre a enorme dívida dos Estados Unidos, a conversa inevitavelmente se volta para uma questão crítica: qual é o montante de dívida que a China possui em relação à sua participação em títulos do Tesouro dos EUA? Mas aqui está o que a maioria das pessoas não percebe — a história é muito mais complexa do que os títulos sugerem.

A verdadeira escala do problema da dívida dos Estados Unidos

Vamos começar com o número principal: atualmente, os EUA possuem aproximadamente 36,2 trilhões de dólares em dívida total. Para a maioria de nós, essa cifra é quase impossível de visualizar. Considere isto: se você gastasse $1 milhão todos os dias sem parar, levaria mais de 99.000 anos para gastar $36 trilhão. É assim que o número é astronômico.

No entanto, há um contexto crítico que muitas vezes é ignorado. Quando você compara essa dívida com a riqueza total que os americanos possuem — atualmente superior a $160 trilhão em patrimônio líquido das famílias — a imagem torna-se significativamente menos sombria. A dívida representa cerca de um quinto da riqueza privada da nação, o que é gerenciável sob uma perspectiva de balanço patrimonial.

A realidade da propriedade estrangeira: quais países realmente detêm mais?

Aqui é onde a narrativa fica interessante. Em abril de 2025, as nações estrangeiras detêm coletivamente aproximadamente 24% da dívida americana em circulação, não a maioria controladora que alguns políticos temem. Essa participação relativamente modesta está distribuída por dezenas de países, impedindo que qualquer nação exerça influência excessiva.

Os principais detentores contam uma história fascinante sobre a economia global:

O Japão domina o cenário com US$ 1,13 trilhão em títulos do Tesouro dos EUA — quase $300 bilhões a mais do que o segundo colocado. O Reino Unido segue com US$ 807,7 bilhões, bastante à frente do terceiro lugar.

A posição da China mudou drasticamente. Antes o segundo maior detentor, a China tem reduzido sistematicamente sua carteira de títulos do Tesouro dos EUA nos últimos anos, permitindo que o Reino Unido a ultrapasse. Atualmente, a China possui US$ 757,2 bilhões — ainda substancial, mas representando uma mudança estratégica significativa na posição financeira de Pequim.

Além desses três pesos pesados, a distribuição torna-se notavelmente dispersa:

  • Ilhas Cayman: US$ 448,3 bilhões
  • Bélgica: US$ 411,0 bilhões
  • Luxemburgo: US$ 410,9 bilhões
  • Canadá: US$ 368,4 bilhões
  • França: US$ 360,6 bilhões
  • Irlanda: US$ 339,9 bilhões
  • Suíça: US$ 310,9 bilhões
  • Taiwan: US$ 298,8 bilhões
  • Cingapura: US$ 247,7 bilhões
  • Hong Kong: US$ 247,1 bilhões
  • Índia: US$ 232,5 bilhões
  • Brasil: US$ 212,0 bilhões
  • Noruega: US$ 195,9 bilhões
  • Arábia Saudita: US$ 133,8 bilhões
  • Coreia do Sul: US$ 121,7 bilhões
  • Emirados Árabes Unidos: US$ 112,9 bilhões
  • Alemanha: US$ 110,4 bilhões

O que realmente acontece quando países estrangeiros reduzem suas participações?

A narrativa de que países estrangeiros controlam o destino econômico dos EUA desmorona sob análise. Os anos de redução gradual da dívida por parte da China oferecem o estudo de caso perfeito — o país tem vendido títulos do Tesouro dos EUA sem desencadear caos no mercado ou dar a Pequim qualquer vantagem especial sobre a política americana.

Quando a demanda estrangeira por dívida dos EUA oscila, o efeito principal ocorre através de taxas de juros, e não de coerção econômica. Durante períodos de demanda estrangeira reduzida, os rendimentos tendem a subir, pois o mercado compensa a menor pressão de compra. Por outro lado, quando os investidores estrangeiros aumentam as compras, os preços dos títulos geralmente apreciam e os rendimentos caem. São mecanismos naturais do mercado, não evidências de controle estrangeiro.

Os próprios americanos detêm a maior parte da dívida dos EUA. Investidores domésticos controlam aproximadamente 55% da dívida em circulação, enquanto a Reserva Federal e a Administração do Seguro Social, junto com outras agências federais, juntas detêm cerca de 20%. Isso significa que o sistema financeiro americano, de forma ampla, possui cerca de três quartos de toda a dívida dos EUA.

O impacto na sua carteira: por que isso importa (e por que pode não importar)

Apesar de preocupações legítimas sobre a trajetória fiscal dos EUA, os títulos do Tesouro americano continuam sendo um dos mercados de dívida governamental mais seguros e líquidos do mundo. O status de moeda de reserva do dólar e a profundidade dos mercados financeiros americanos criam uma vantagem estrutural que persiste independentemente das porcentagens de propriedade estrangeira.

Para o americano comum, os impactos diretos permanecem limitados. Mudanças na propriedade estrangeira podem influenciar indiretamente as taxas de hipoteca ou outros produtos de taxa de juros, mas a conexão é indireta e mediada por mecanismos de mercado complexos, não por pressão política estrangeira. A ideia de que a China ou o Japão poderiam deliberadamente desestabilizar a economia americana ao despejar títulos do Tesouro ignora a matemática fundamental: fazer isso destruiria o valor de suas próprias participações, causando perdas massivas.

Os verdadeiros desafios econômicos que os EUA enfrentam — sustentabilidade fiscal, mudanças demográficas, dinâmicas inflacionárias — requerem soluções de política interna. A propriedade estrangeira da dívida é um sintoma dos fluxos de capital globais e das dinâmicas geopolíticas, não sua causa principal.

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