Acabei de encontrar uma análise interessante de Matt Hougan que mostra o quão realista é a tese de Bitcoin de 1 milhão de dólares. O chefe da Bitwise não argumenta simplesmente por intuição — ele se baseia em uma lógica sólida de participação de mercado.



A ideia central é bastante compreensível: o mercado global de reserva de valor (ouro, títulos do governo e similares) cresceu de cerca de 2,5 trilhões de dólares em 2004 para quase 40 trilhões hoje. O Bitcoin atualmente representa apenas cerca de 4 por cento disso. Se a maior criptomoeda conquistasse cerca de metade do mercado, o preço poderia, de fato, atingir a marca de um milhão de dólares dentro de uma década. E se o mercado continuar crescendo, o Bitcoin precisaria de uma fatia ainda menor.

O que me surpreendeu: esse número de 1 milhão de dólares já não é mais uma voz isolada. Eric Trump dobrou sua aposta em BTC, Brian Armstrong, da Coinbase, vê isso até 2030, Jack Dorsey até diz que pode acontecer em cinco anos. Até Arthur Hayes considera 2028 possível. A Ark Invest de Cathie Woods vai ainda mais longe e projeta 3,8 milhões até o fim da década. Bernstein calcula 1 milhão até 2033.

Mas por que esse número se tornou tão presente? Mati Greenspan explica assim: é uma manchete impactante, uma forma resumida da tese de que o Bitcoin, como reserva de valor, pode competir com o ouro. O número exato não é tanto o objetivo, mas sim um símbolo do papel do Bitcoin na riqueza global.

Jason Fernandes também vê nisso uma componente psicológica — números arredondados simplesmente funcionam melhor na comunicação. Mas ele enfatiza: isso não significa que a tese fundamental seja baseada apenas em hype. Muitos investidores cometem o erro de avaliar o Bitcoin apenas em relação ao valor de reserva de valor atual, e não em relação a um mercado futuro muito maior.

A questão crucial, porém, é: qual o prazo? A maioria dos analistas com quem conversei concorda — a direção está certa, mas o caminho é longo. Greenspan diz que tensões geopolíticas fortalecem a tese do Bitcoin, porque investidores procuram por reservas de valor neutras em tempos de incerteza. O Bitcoin, ao lado do ouro, vem assumindo cada vez mais esse papel. Mas provavelmente levará uma década ou mais, além de adoção institucional e clareza regulatória.

Fernandes resume assim: o Bitcoin não precisa substituir o ouro, apenas precisa captar cerca de 17 por cento de um mercado de reserva de valor projetado em 121 trilhões de dólares nos próximos dez anos. Isso justificaria a cifra de 1 milhão de dólares.

Nima Beni, da Bitlease, aponta um ponto interessante: o prazo pode se acelerar se a confiança em ativos tradicionais “seguros” quebrar — por crises de endividamento estatal ou distúrbios no mercado de ouro.

A conclusão? Não se trata de ciclos de mercado de curto prazo, mas de adoção a longo prazo e condições macroeconômicas. A tese de 1 milhão de dólares é menos uma previsão exata do que uma declaração de que o Bitcoin pode evoluir para um ativo monetário global de grande importância. Se e quando isso acontecer, dependerá da aceitação institucional — não dos próximos meses.
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