Depois de alcançar saltos históricos em 2025, ultrapassando os 4300 dólares por onça, os investidores colocam uma questão central: quando é que o preço do ouro vai baixar? E a resposta depende de um conjunto complexo de fatores económicos e geopolíticos que irão moldar o percurso do metal precioso no próximo ano.
Roteiro de preços do ouro: de correções a estabilidade
O ouro registou uma correção relativa em novembro de 2025, tendo recuado do seu pico em outubro para cerca de 4000 dólares por onça. Este movimento reflete um equilíbrio dinâmico entre pressões de venda e compra. Segundo uma análise técnica no quadro diário, o preço mostra um suporte forte em 4000 dólares e uma primeira resistência em 4200 dólares. Se estas níveis forem ultrapassados, o alvo pode ser 3800 dólares (50% de correção de Fibonacci), antes de retomar a subida. O índice RSI estabiliza-se em 50, indicando uma situação de mercado totalmente neutra, enquanto o MACD confirma a continuação da tendência de alta enquanto a linha permanecer acima de zero.
Porque é que as previsões dos analistas apontam para 5000 dólares?
O banco HSBC elevou a sua previsão para 5000 dólares no primeiro semestre de 2026, com uma média anual de 4600 dólares. Previsões semelhantes vieram do Bank of America, Goldman Sachs e J.P. Morgan, com um intervalo médio entre 4200 e 4800 dólares para o ano. Mas a diferença está no caminho, não no objetivo final.
O principal fator por trás deste otimismo é a continuação de políticas monetárias expansionistas globais. O Federal Reserve cortou as taxas em 25 pontos base em outubro de 2025, e há previsões de mais um corte de até 25 pontos em dezembro. Isto enfraquece o dólar e os rendimentos reais dos títulos, reforçando a atratividade do ouro como refúgio seguro.
Demanda institucional: o verdadeiro motor dos preços
Dados do Conselho Mundial do Ouro mostram que o segundo trimestre de 2025 registou uma procura total de 1249 toneladas, avaliada em 132 mil milhões de dólares (aumento de 45% ao ano). Os fundos negociados em bolsa de ouro atingiram 3838 toneladas, com um aumento de 6%, aproximando-se de um máximo histórico de 3929 toneladas.
Os bancos centrais continuaram a comprar com força, e 44% deles gerem atualmente reservas de ouro, contra 37% em 2024. O Banco Popular da China adicionou 65 toneladas na primeira metade do ano, completando a sua onda de compras pelo 22º mês consecutivo. Esta procura institucional reduz a probabilidade de uma queda acentuada no preço.
E quanto ao risco de correção?
O HSBC alertou para possíveis correções até 4200 dólares na segunda metade de 2026, se os investidores começarem a realizar lucros. Mas exclui uma descida abaixo de 3800 dólares, a menos que haja uma grande crise económica. O Goldman Sachs alertou que manter os preços acima de 4800 dólares representará um “teste de credibilidade” da capacidade do ouro de manter os seus níveis, num contexto de procura industrial fraca.
Por outro lado, analistas do J.P. Morgan e do Deutsche Bank concordaram que o ouro entrou numa nova faixa de preço difícil de romper para baixo, devido a uma mudança estratégica na perceção dos investidores, que o veem como um ativo de longo prazo.
Dívida e fatores geopolíticos: o apoio contínuo
A dívida pública global ultrapassou 100% do PIB, segundo o Fundo Monetário Internacional, reforçando a procura por proteção. Além disso, a incerteza geopolítica em 2025 elevou a procura em 7% ao ano, de acordo com a Reuters. Tensões comerciais, Oriente Médio e preocupações com o fornecimento de energia são fatores que impulsionam os investidores para refúgios seguros.
Movimento da produção mineira: a outra limitação
A produção mineira atingiu 856 toneladas no primeiro trimestre de 2025, com um aumento de apenas 1% ao ano, enquanto o ouro reciclado caiu 1%. Os custos de extração globais subiram para 1470 dólares por onça, o nível mais alto em uma década. Isto significa que a oferta não acompanhará facilmente a procura, apoiando uma base de preço sólida.
Movimento do dólar e dos títulos: a equação decisiva
O índice do dólar caiu 7,64% desde o seu pico no início de 2025, e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA a 10 anos desceram de 4,6% para 4,07%. Este duplo recuo apoiou a procura institucional pelo ouro. O Bank of America acredita que a estabilidade dos rendimentos reais perto de 1,2% pode colocar o ouro numa trajetória de alta sustentada.
Previsões para o Médio Oriente: números locais
Na Egito, as previsões do CoinCodex indicam que o preço da onça pode atingir 522.580 libras egípcias, (aumento de 158% face aos preços atuais). Na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, se o preço chegar a 5000 dólares, isso pode equivaler a cerca de 18.750 riais sauditas e 18.375 dirhams Emirados, com base em taxas de câmbio estáveis.
Conclusão: quando é que o ouro vai baixar?
Resposta curta: não em breve, no cenário base. As previsões indicam que o suporte se manterá durante 2026, com uma média anual entre 4200 e 4800 dólares, e um pico potencial em 5000 dólares. Correções podem acontecer, mas serão oportunidades de compra, não colapsos, desde que as rendibilidades reais permaneçam baixas, o dólar fraco e os bancos centrais continuem a comprar.
A descida real só acontecerá em cenários extremos: política monetária global apertada, queda da procura institucional ou aumento acentuado das rendibilidades reais. Até agora, todos os indicadores apontam para que 2026 seja mais um ano de expansão e consolidação do valor do ouro como um ativo fundamental nas carteiras de investimento globais.
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O ouro está a caminho de cair? Previsões para 2026 entre subida e correção
Depois de alcançar saltos históricos em 2025, ultrapassando os 4300 dólares por onça, os investidores colocam uma questão central: quando é que o preço do ouro vai baixar? E a resposta depende de um conjunto complexo de fatores económicos e geopolíticos que irão moldar o percurso do metal precioso no próximo ano.
Roteiro de preços do ouro: de correções a estabilidade
O ouro registou uma correção relativa em novembro de 2025, tendo recuado do seu pico em outubro para cerca de 4000 dólares por onça. Este movimento reflete um equilíbrio dinâmico entre pressões de venda e compra. Segundo uma análise técnica no quadro diário, o preço mostra um suporte forte em 4000 dólares e uma primeira resistência em 4200 dólares. Se estas níveis forem ultrapassados, o alvo pode ser 3800 dólares (50% de correção de Fibonacci), antes de retomar a subida. O índice RSI estabiliza-se em 50, indicando uma situação de mercado totalmente neutra, enquanto o MACD confirma a continuação da tendência de alta enquanto a linha permanecer acima de zero.
Porque é que as previsões dos analistas apontam para 5000 dólares?
O banco HSBC elevou a sua previsão para 5000 dólares no primeiro semestre de 2026, com uma média anual de 4600 dólares. Previsões semelhantes vieram do Bank of America, Goldman Sachs e J.P. Morgan, com um intervalo médio entre 4200 e 4800 dólares para o ano. Mas a diferença está no caminho, não no objetivo final.
O principal fator por trás deste otimismo é a continuação de políticas monetárias expansionistas globais. O Federal Reserve cortou as taxas em 25 pontos base em outubro de 2025, e há previsões de mais um corte de até 25 pontos em dezembro. Isto enfraquece o dólar e os rendimentos reais dos títulos, reforçando a atratividade do ouro como refúgio seguro.
Demanda institucional: o verdadeiro motor dos preços
Dados do Conselho Mundial do Ouro mostram que o segundo trimestre de 2025 registou uma procura total de 1249 toneladas, avaliada em 132 mil milhões de dólares (aumento de 45% ao ano). Os fundos negociados em bolsa de ouro atingiram 3838 toneladas, com um aumento de 6%, aproximando-se de um máximo histórico de 3929 toneladas.
Os bancos centrais continuaram a comprar com força, e 44% deles gerem atualmente reservas de ouro, contra 37% em 2024. O Banco Popular da China adicionou 65 toneladas na primeira metade do ano, completando a sua onda de compras pelo 22º mês consecutivo. Esta procura institucional reduz a probabilidade de uma queda acentuada no preço.
E quanto ao risco de correção?
O HSBC alertou para possíveis correções até 4200 dólares na segunda metade de 2026, se os investidores começarem a realizar lucros. Mas exclui uma descida abaixo de 3800 dólares, a menos que haja uma grande crise económica. O Goldman Sachs alertou que manter os preços acima de 4800 dólares representará um “teste de credibilidade” da capacidade do ouro de manter os seus níveis, num contexto de procura industrial fraca.
Por outro lado, analistas do J.P. Morgan e do Deutsche Bank concordaram que o ouro entrou numa nova faixa de preço difícil de romper para baixo, devido a uma mudança estratégica na perceção dos investidores, que o veem como um ativo de longo prazo.
Dívida e fatores geopolíticos: o apoio contínuo
A dívida pública global ultrapassou 100% do PIB, segundo o Fundo Monetário Internacional, reforçando a procura por proteção. Além disso, a incerteza geopolítica em 2025 elevou a procura em 7% ao ano, de acordo com a Reuters. Tensões comerciais, Oriente Médio e preocupações com o fornecimento de energia são fatores que impulsionam os investidores para refúgios seguros.
Movimento da produção mineira: a outra limitação
A produção mineira atingiu 856 toneladas no primeiro trimestre de 2025, com um aumento de apenas 1% ao ano, enquanto o ouro reciclado caiu 1%. Os custos de extração globais subiram para 1470 dólares por onça, o nível mais alto em uma década. Isto significa que a oferta não acompanhará facilmente a procura, apoiando uma base de preço sólida.
Movimento do dólar e dos títulos: a equação decisiva
O índice do dólar caiu 7,64% desde o seu pico no início de 2025, e os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA a 10 anos desceram de 4,6% para 4,07%. Este duplo recuo apoiou a procura institucional pelo ouro. O Bank of America acredita que a estabilidade dos rendimentos reais perto de 1,2% pode colocar o ouro numa trajetória de alta sustentada.
Previsões para o Médio Oriente: números locais
Na Egito, as previsões do CoinCodex indicam que o preço da onça pode atingir 522.580 libras egípcias, (aumento de 158% face aos preços atuais). Na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, se o preço chegar a 5000 dólares, isso pode equivaler a cerca de 18.750 riais sauditas e 18.375 dirhams Emirados, com base em taxas de câmbio estáveis.
Conclusão: quando é que o ouro vai baixar?
Resposta curta: não em breve, no cenário base. As previsões indicam que o suporte se manterá durante 2026, com uma média anual entre 4200 e 4800 dólares, e um pico potencial em 5000 dólares. Correções podem acontecer, mas serão oportunidades de compra, não colapsos, desde que as rendibilidades reais permaneçam baixas, o dólar fraco e os bancos centrais continuem a comprar.
A descida real só acontecerá em cenários extremos: política monetária global apertada, queda da procura institucional ou aumento acentuado das rendibilidades reais. Até agora, todos os indicadores apontam para que 2026 seja mais um ano de expansão e consolidação do valor do ouro como um ativo fundamental nas carteiras de investimento globais.