O prata apresentou uma recuperação técnica após atingir um recorde de 84 dólares/oz, com uma queda diária de até 5% na segunda-feira(29 de dezembro), formando um movimento completamente diferente do ouro — esse fenômeno de divergência no mercado de metais preciosos reflete uma crise de desequilíbrio mais profunda entre oferta e demanda.
Sinal técnico: sinais de sobrecompra surgem
Apesar do prata ainda estar acima de 80 dólares/oz, os indicadores técnicos já alertam para uma sobrecompra. O índice de força relativa (RSI) de 14 dias do metal está próximo de 80, muito acima do nível de 70 considerado como “sobrecompra”. O analista de mercado da IG Australia, Tony Sycamore, afirmou: “Estamos testemunhando uma bolha geracional no prata.” A Bloomberg atribui essa correção à realização de lucros por parte dos traders após cinco dias consecutivos de alta, uma típica correção de mercado.
Em contraste, o preço do ouro caiu de forma mais moderada, fechando na segunda-feira em 4495,73 dólares/oz, abaixo do recorde de 4549,92 dólares/oz atingido na sexta-feira passada. Platina e paládio também recuaram após atingirem novas máximas na sessão anterior, evidenciando uma divergência no setor de metais preciosos.
Desequilíbrio estrutural de oferta e demanda: o dilema exclusivo do prata
A performance do prata em relação ao ouro deve-se à sua estrutura de mercado vulnerável. O mercado de prata é muito menor que o de ouro, com menor profundidade e liquidez que podem evaporar facilmente. O mercado de ouro de Londres conta com cerca de 700 bilhões de dólares em barras de ouro emprestáveis como suporte, podendo aliviar pressões de liquidez por meio de empréstimos, mas o mercado de prata não possui uma “reserva de reserva” similar.
Essa rodada de aperto na oferta começou em outubro, quando o armazém de Londres passou a atrair grande fluxo de prata, levando a escassez em outras regiões. Na China, os estoques de prata armazenados em armazéns vinculados à Bolsa de Futuros de Xangai caíram para o nível mais baixo desde 2015. Sycamore afirmou: “O principal fator impulsionador recente é o grave desequilíbrio estrutural de oferta e demanda do prata, que gerou uma corrida por metais físicos.” Ele acrescentou que os compradores estão pagando um prêmio de até 7% para entrega imediata, muito mais caro do que esperar um ano para entrega.
Além disso, uma grande quantidade de prata disponível para entrega imediata ainda permanece em Nova York, enquanto os traders aguardam o resultado de uma investigação do Departamento de Comércio dos EUA — que visa avaliar se as importações de minerais críticos representam risco à segurança nacional, o que pode abrir caminho para tarifas ou outras restrições comerciais ao prata.
Drivers macroeconômicos: bancos centrais, Federal Reserve e geopolítica
A alta do prata ao longo de um ano foi impulsionada por múltiplos fatores: compras de bancos centrais em níveis elevados, fluxos de fundos em ETFs(, e três cortes consecutivos de juros pelo Federal Reserve. Custos de empréstimo mais baixos favorecem commodities que não pagam juros, e os traders apostam que o Fed continuará a reduzir juros em 2026.
O índice do dólar Bloomberg caiu 0,8% na semana passada, atingindo sua maior queda semanal desde junho, fortalecendo o ouro e o prata. Ao mesmo tempo, o aumento do risco geopolítico — com agravamento da crise na Venezuela e bloqueios de petroleiros pelos EUA, além de ações contra alvos do Estado Islâmico na Nigéria — aumentou ainda mais o apelo dos metais preciosos como ativos de refúgio.
Preocupações na aplicação industrial: efeitos em cadeia da escassez de oferta
Ao contrário do ouro, o prata possui diversas propriedades físicas práticas, sendo componente essencial em painéis solares, centros de dados de IA e eletrônicos. Com estoques próximos ao menor nível histórico, o risco de escassez de oferta aumenta, podendo afetar várias indústrias de forma em cadeia.
Elon Musk respondeu a um tweet relacionado no sábado, dizendo: “Isso não é bom. Muitos processos industriais dependem de prata.” Isso reflete a preocupação do mercado com uma crise de oferta real.
Perspectivas de mercado: a divergência no setor de metais preciosos a ser observada
Na manhã de segunda-feira na Ásia, o prata à vista subiu até 6%, atingindo uma máxima de 84,00 dólares/oz, antes de cair 3,6%, com uma volatilidade muito superior à de ouro, que caiu 0,9%. Essa volatilidade extrema confirma a fragilidade e a especulação no mercado de prata — em contraste com a estabilidade do ouro, o prata mostra características de mercado completamente diferentes em um cenário de divergência. A continuidade do desempenho forte do prata dependerá da resolução do aperto na oferta e da atenção dos traders aos sinais técnicos de sobrecompra.
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Mercado de metais preciosos à vista: a crise estrutural por trás da rápida queda técnica da prata
O prata apresentou uma recuperação técnica após atingir um recorde de 84 dólares/oz, com uma queda diária de até 5% na segunda-feira(29 de dezembro), formando um movimento completamente diferente do ouro — esse fenômeno de divergência no mercado de metais preciosos reflete uma crise de desequilíbrio mais profunda entre oferta e demanda.
Sinal técnico: sinais de sobrecompra surgem
Apesar do prata ainda estar acima de 80 dólares/oz, os indicadores técnicos já alertam para uma sobrecompra. O índice de força relativa (RSI) de 14 dias do metal está próximo de 80, muito acima do nível de 70 considerado como “sobrecompra”. O analista de mercado da IG Australia, Tony Sycamore, afirmou: “Estamos testemunhando uma bolha geracional no prata.” A Bloomberg atribui essa correção à realização de lucros por parte dos traders após cinco dias consecutivos de alta, uma típica correção de mercado.
Em contraste, o preço do ouro caiu de forma mais moderada, fechando na segunda-feira em 4495,73 dólares/oz, abaixo do recorde de 4549,92 dólares/oz atingido na sexta-feira passada. Platina e paládio também recuaram após atingirem novas máximas na sessão anterior, evidenciando uma divergência no setor de metais preciosos.
Desequilíbrio estrutural de oferta e demanda: o dilema exclusivo do prata
A performance do prata em relação ao ouro deve-se à sua estrutura de mercado vulnerável. O mercado de prata é muito menor que o de ouro, com menor profundidade e liquidez que podem evaporar facilmente. O mercado de ouro de Londres conta com cerca de 700 bilhões de dólares em barras de ouro emprestáveis como suporte, podendo aliviar pressões de liquidez por meio de empréstimos, mas o mercado de prata não possui uma “reserva de reserva” similar.
Essa rodada de aperto na oferta começou em outubro, quando o armazém de Londres passou a atrair grande fluxo de prata, levando a escassez em outras regiões. Na China, os estoques de prata armazenados em armazéns vinculados à Bolsa de Futuros de Xangai caíram para o nível mais baixo desde 2015. Sycamore afirmou: “O principal fator impulsionador recente é o grave desequilíbrio estrutural de oferta e demanda do prata, que gerou uma corrida por metais físicos.” Ele acrescentou que os compradores estão pagando um prêmio de até 7% para entrega imediata, muito mais caro do que esperar um ano para entrega.
Além disso, uma grande quantidade de prata disponível para entrega imediata ainda permanece em Nova York, enquanto os traders aguardam o resultado de uma investigação do Departamento de Comércio dos EUA — que visa avaliar se as importações de minerais críticos representam risco à segurança nacional, o que pode abrir caminho para tarifas ou outras restrições comerciais ao prata.
Drivers macroeconômicos: bancos centrais, Federal Reserve e geopolítica
A alta do prata ao longo de um ano foi impulsionada por múltiplos fatores: compras de bancos centrais em níveis elevados, fluxos de fundos em ETFs(, e três cortes consecutivos de juros pelo Federal Reserve. Custos de empréstimo mais baixos favorecem commodities que não pagam juros, e os traders apostam que o Fed continuará a reduzir juros em 2026.
O índice do dólar Bloomberg caiu 0,8% na semana passada, atingindo sua maior queda semanal desde junho, fortalecendo o ouro e o prata. Ao mesmo tempo, o aumento do risco geopolítico — com agravamento da crise na Venezuela e bloqueios de petroleiros pelos EUA, além de ações contra alvos do Estado Islâmico na Nigéria — aumentou ainda mais o apelo dos metais preciosos como ativos de refúgio.
Preocupações na aplicação industrial: efeitos em cadeia da escassez de oferta
Ao contrário do ouro, o prata possui diversas propriedades físicas práticas, sendo componente essencial em painéis solares, centros de dados de IA e eletrônicos. Com estoques próximos ao menor nível histórico, o risco de escassez de oferta aumenta, podendo afetar várias indústrias de forma em cadeia.
Elon Musk respondeu a um tweet relacionado no sábado, dizendo: “Isso não é bom. Muitos processos industriais dependem de prata.” Isso reflete a preocupação do mercado com uma crise de oferta real.
Perspectivas de mercado: a divergência no setor de metais preciosos a ser observada
Na manhã de segunda-feira na Ásia, o prata à vista subiu até 6%, atingindo uma máxima de 84,00 dólares/oz, antes de cair 3,6%, com uma volatilidade muito superior à de ouro, que caiu 0,9%. Essa volatilidade extrema confirma a fragilidade e a especulação no mercado de prata — em contraste com a estabilidade do ouro, o prata mostra características de mercado completamente diferentes em um cenário de divergência. A continuidade do desempenho forte do prata dependerá da resolução do aperto na oferta e da atenção dos traders aos sinais técnicos de sobrecompra.