
O SAFT, sigla para Simple Agreement for Future Tokens (Acordo Simples para Futuros Tokens), é um instrumento contratual utilizado por projetos de criptoativos para captar recursos em fases iniciais. Nesse modelo, investidores aportam capital antecipadamente e, em contrapartida, recebem tokens posteriormente, quando condições pré-estabelecidas forem cumpridas—normalmente no lançamento da rede e emissão dos tokens, conhecido como TGE (Token Generation Event).
Diferente do investimento em ações, o SAFT concede direitos sobre tokens futuros, não sobre participação societária. É mais comum em rodadas privadas de captação, com contratos que determinam preço ou desconto dos tokens, prazos de entrega, regras de vesting e mecanismos de liberação. Em resumo, o investidor garante o direito a tokens futuros e os recebe de forma parcelada conforme o projeto atinge seus marcos.
O SAFT foi desenvolvido para resolver desafios regulatórios e operacionais enfrentados nas captações iniciais via ICO. Ao separar a captação da entrega dos tokens e estabelecer critérios e processos de compliance claros, o SAFT traz mais estrutura às operações. Criado em 2017 por especialistas jurídicos e equipes de projetos, o modelo busca maior alinhamento com normas de valores mobiliários e reduz riscos associados à venda direta de tokens inacabados ao público.
No mercado dos EUA, reguladores aplicam o “Teste de Howey” para avaliar se uma oferta configura valor mobiliário. Os SAFTs costumam ser ofertados em placements privados para investidores qualificados, reduzindo riscos de conformidade que existem em ofertas públicas. Os projetos também utilizam o SAFT para vincular a entrega dos tokens a marcos de desenvolvimento e cronogramas de vesting, minimizando riscos de mercado e de segurança causados por circulação prematura. Desde 2024, regulações globais têm se tornado mais uniformes, com o MiCA da União Europeia implementando exigências graduais para emissão e divulgação de tokens.
O fluxo padrão do SAFT envolve assinatura do contrato, transferência dos recursos, desenvolvimento do projeto e, por fim, distribuição dos tokens após o cumprimento das condições previstas. O gatilho mais comum é o TGE—quando ocorre o lançamento do mainnet ou do contrato do token e inicia-se a distribuição.
Os procedimentos de compliance são fundamentais, incluindo checagem KYC (Know Your Customer) e AML (Anti-Money Laundering) dos investidores, além da assinatura de documentos de placement privado. Normalmente, a entrega dos tokens segue um cronograma de vesting, e não é imediata—por exemplo, um “cliff period” de seis meses seguido de liberações mensais lineares por 18 meses.
Se houver atraso ou descumprimento de marcos pelo projeto, o contrato prevê soluções como adiamento da entrega, revisão de prazos ou—em situações extremas—rescisão e renegociação. Como as condições variam bastante entre projetos, é essencial realizar uma due diligence detalhada antes de assinar.
As principais cláusulas de um SAFT costumam abranger: valor do investimento; preço ou desconto dos tokens; condições de entrega (como TGE); cronogramas de vesting e liberação; legislação aplicável e mecanismos de resolução de disputas; restrições de transferência; e exigências de divulgação e reporte.
A diferença central entre SAFT e SAFE está no objeto entregue. O SAFE (Simple Agreement for Future Equity) garante ao investidor direito a participação societária futura ou direitos correlatos, normalmente acionados por rodadas subsequentes ou eventos de liquidez; o SAFT entrega tokens futuros no TGE conforme termos definidos.
O SAFE tem origem no financiamento tradicional de startups, focando em valuation cap, descontos e conversão em equity; o SAFT prioriza precificação ou desconto dos tokens, cronogramas de vesting e condições de lançamento da rede. Ambos podem coexistir em um mesmo projeto—SAFE para estrutura societária e SAFT para tokenomics—mas cada um confere direitos e riscos próprios.
A maioria dos SAFTs é restrita a investidores qualificados, que precisam atender critérios de elegibilidade e passar por checagens de compliance. Usuários de varejo, em geral, não têm acesso direto às rodadas privadas, mas podem acompanhar vendas públicas ou listagens para buscar oportunidades.
Passo 1: Verifique sua qualificação como investidor. Algumas jurisdições exigem comprovação de renda/patrimônio ou verificação institucional para acesso a isenções de placement privado.
Passo 2: Realize KYC/AML. Envie documentos de identidade e comprovação de recursos para análise de compliance.
Passo 3: Analise os termos contratuais. Atente-se a preço/descontos dos tokens, cronogramas de vesting/liberação, gatilhos de entrega, legislação aplicável e cláusulas de resolução de disputas.
Passo 4: Organize recursos e custódia. Confirme moeda de pagamento (fiat ou stablecoin), processo de liquidação e arranjos de custódia para mitigar riscos operacionais.
Passo 5: Acompanhe marcos & TGE. Monitore canais oficiais do projeto para atualizações, reivindique tokens no TGE conforme contrato e acompanhe as liberações subsequentes.
Na prática, usuários de varejo podem acompanhar vendas públicas ou listagens em exchanges para obter transparência sobre detalhes de vendas privadas e cronogramas de unlock. Por exemplo, a página Startup da Gate divulga alocação de tokens, preço público e regras de vesting—permitindo comparar os termos das rodadas privadas com as expectativas do mercado.
SAFTs precisam cumprir as normas de valores mobiliários e prevenção à lavagem de dinheiro da jurisdição aplicável. Nos EUA, os caminhos comuns são Reg D (isenção para placement privado de investidores qualificados) e Reg S (ofertas offshore), ambos exigindo checagem KYC/AML dos investidores.
Na União Europeia, o MiCA foi implementado gradualmente desde 2024, com exigências claras para emissão de tokens, whitepapers e divulgações. Outras regiões também estão atualizando suas normas. Importante: utilizar SAFT não isenta automaticamente os tokens de serem considerados valores mobiliários—a decisão final depende da funcionalidade, método de emissão e uso prático dos tokens.
Equipes de projetos e investidores devem consultar especialistas jurídicos para definir estratégias de compliance adequadas, manter materiais de divulgação e criar mecanismos de reporte para reduzir riscos legais e operacionais.
O preço em SAFT geralmente se baseia no FDV (Fully Diluted Valuation) ou no preço público para equilibrar risco e retorno via descontos e condições de vesting. O FDV reflete o valor total caso todos os tokens estejam em circulação—calculado multiplicando o preço do token pelo supply total.
Exemplo: Um projeto com 1 bilhão de tokens tem preço público de US$0,0625 por token. Na oferta privada via SAFT, há desconto de 20% (US$0,05 por token), com vesting de 24 meses: cliff de seis meses seguido de liberações mensais por 18 meses. Se o preço de mercado cair abaixo de US$0,05 após o TGE e o vesting for longo, o retorno pode ser prejudicado; se o preço superar o valor público e o projeto crescer, o vesting diluído reduz a pressão de venda.
Divulgações públicas em exchanges (como a Startup da Gate) mostram alocações de tokens e cronogramas de unlock. Avaliar descontos junto com mecanismos de liberação oferece uma análise mais completa do que considerar apenas o preço.
Os principais riscos do SAFT envolvem incerteza regulatória, atrasos ou falhas na entrega, volatilidade de preços, riscos de contraparte e operacionais, liquidez restrita e diferentes regimes tributários.
O SAFT é uma estrutura contratual amplamente adotada para captação em fases iniciais de criptoativos—permitindo “captar agora, entregar tokens depois”. Diferente do SAFE (que concede equity), o SAFT prevê entrega de tokens sob condições específicas, após marcos como o TGE. O processo envolve checagem de qualificação do investidor, assinatura de contratos com revisão KYC/AML, aguardo do TGE e recebimento dos tokens conforme cronograma de vesting. A precificação geralmente se relaciona ao preço público ou ao FDV com descontos; os riscos estão ligados ao compliance regulatório, incertezas de entrega, desempenho de mercado e restrições de liquidez. Investidores de varejo que não participam de rodadas privadas podem acompanhar vendas públicas em plataformas como a Gate para acessar informações transparentes sobre cronogramas de unlock—facilitando a análise de risco e retorno antes de investir.
SAFT (Simple Agreement for Future Tokens) e SAFE (Simple Agreement for Future Equity) são instrumentos de captação—enquanto o SAFT é voltado para projetos cripto (com entrega futura de tokens), o SAFE é mais utilizado por startups que buscam investimento em equity. O SAFT traz termos específicos para distribuição e ciclos de liberação de tokens; o SAFE é mais flexível e direto. A escolha depende do objetivo do projeto quanto à emissão de tokens.
O prazo de entrega dos tokens é definido no contrato SAFT—normalmente após a listagem oficial dos tokens em exchanges. O processo padrão é: aquisição do SAFT → conclusão da captação → emissão dos tokens → conversão automática conforme o contrato. Os prazos variam entre projetos; é fundamental revisar as cláusulas de “entrega dos tokens”.
A maioria das rodadas SAFT impõe critérios rigorosos de elegibilidade—geralmente restritas a investidores qualificados, como instituições ou pessoas de alta renda; a participação de varejo é rara. Mesmo quando permitida, a verificação KYC é obrigatória—e algumas jurisdições exigem conformidade com leis locais de valores mobiliários. Utilize plataformas como a Gate para informações atualizadas sobre políticas de captação e evite canais não autorizados.
Os principais riscos incluem: (1) Falha do projeto—equipes podem não entregar os tokens após captar recursos; (2) Desvalorização dos tokens—mesmo recebendo os tokens, quedas de preço podem gerar prejuízo; (3) Riscos regulatórios—algumas jurisdições proíbem captação via SAFT. Sempre avalie a equipe do projeto, verifique a transparência dos termos e analise seu perfil de risco antes de investir.
Normalmente não—os contratos SAFT costumam prever “lockup periods” que obrigam o investidor a aguardar antes de negociar (geralmente de 3 a 12 meses). Essa medida serve para estabilizar os preços e evitar vendas rápidas por investidores iniciais. Sempre confirme o período de lockup antes de investir—esse é um fator decisivo na sua análise.


