
ERC-777 é um padrão de token do Ethereum criado para definir como os tokens são transferidos, como contratos inteligentes recebem esses tokens de forma segura e como os usuários podem autorizar terceiros a transferirem tokens em seu nome. Apesar de manter compatibilidade com o ecossistema ERC-20, o ERC-777 traz inovações como recepção programável de tokens e ações delegadas por operadores.
O ERC-777 foi apresentado por meio da Ethereum Improvement Proposal (EIP-777) e finalizado em 2019 para solucionar limitações de padrões anteriores, especialmente relacionadas à experiência de recepção por contratos e à extensibilidade. Diversas implementações oferecem tanto as interfaces ERC-777 quanto ERC-20, garantindo reconhecimento e compatibilidade facilitados para carteiras e exchanges.
O ERC-777 tem como objetivo principal tornar a recepção programável e a autorização delegada recursos nativos, reduzindo a necessidade de etapas manuais de aprovação/transferência e diminuindo o risco de envio de tokens para contratos incapazes de recebê-los.
No início do ERC-20, contratos não detectavam automaticamente tokens recebidos e dependiam de funções auxiliares ou listeners de eventos. O ERC-777 resolve esse problema ao acionar um callback no recebimento, permitindo que o destinatário processe imediatamente as transferências recebidas — como contabilização, concessão de privilégios ou rejeição de fontes suspeitas.
O funcionamento do ERC-777 se baseia em “receive hooks” e “descoberta de interface”. O receive hook funciona como um alerta para o destinatário (usuário ou contrato) quando tokens são recebidos, possibilitando a execução de lógicas pré-definidas, como atualização de registros ou rejeição de transferências.
Para que o remetente descubra se o destinatário suporta hooks, o ERC-777 utiliza o registro EIP-1820 — uma espécie de “agenda de endereços” na blockchain que indica quais interfaces cada endereço suporta. Durante a transferência, o contrato do token consulta esse registro; se o endereço do destinatário tiver uma interface de receive hook registrada, o contrato invoca o hook antes ou depois da transferência dos tokens.
Além disso, o ERC-777 traz o conceito de “operadores” — contas autorizadas a iniciar transferências em nome do usuário. Esse recurso é ideal para serviços de custódia, pagamentos automatizados ou operações financeiras em lote em ambientes corporativos.
As diferenças centrais são a recepção programável e o suporte a transferências delegadas. O ERC-777 já inclui receive hooks e operadores de forma nativa, enquanto o ERC-20 depende apenas dos fluxos básicos de transfer/approve/transferFrom.
Para garantir compatibilidade, muitos tokens ERC-777 também implementam a interface ERC-20, permitindo que carteiras e exchanges legadas os reconheçam. Porém, como o ERC-777 depende do EIP-1820 para descoberta de interface, alguns contratos ou ferramentas antigas podem apresentar comportamentos inesperados se não considerarem esse mecanismo.
No aspecto de design, o ERC-777 permite que destinatários processem automaticamente transferências recebidas, melhorando a experiência do usuário. Entretanto, os hooks trazem novas demandas de segurança e complexidade — desenvolvedores precisam estar atentos a riscos como reentrância.
Para o usuário final, usar tokens ERC-777 é semelhante à transferência de tokens ERC-20: a maioria das carteiras exige apenas endereço e valor. Se o destinatário for um contrato que suporta hooks, o recebimento dos tokens pode acionar automaticamente lógicas, como atualização de registros ou concessão de acesso.
Passo 1: Verifique se sua carteira ou aplicativo reconhece tokens ERC-777. Consulte a documentação do token e as instruções da carteira para garantir suporte à recepção e exibição via hooks.
Passo 2: Faça uma transferência de teste. Envie um valor mínimo para o endereço de destino e confira se o contrato destinatário processa corretamente o recebimento, a contabilização e o retorno.
Passo 3: Gerencie as autorizações de operadores. Se seu aplicativo possuir interface de gestão de operadores, conceda permissões delegadas apenas para endereços confiáveis e revise ou revogue autorizações desnecessárias com frequência.
Para exchanges, sempre confirme o suporte ao padrão antes de depositar ou sacar. Por exemplo, ao utilizar a Gate para depósitos ou saques, consulte a documentação oficial ou o suporte para confirmar se canais ERC-777 estão disponíveis. Se apenas ERC-20 for suportado, siga as orientações para selecionar a rede e o endereço de contrato corretos, evitando perda de ativos.
O ERC-777 é ideal para cenários em que “o recebimento aciona a execução”:
Até 2025, os principais protocolos DeFi utilizam predominantemente o ERC-20. No entanto, para aplicações especializadas que exigem processamento instantâneo ao receber, o ERC-777 proporciona interações mais eficientes.
O maior risco está nos ataques de reentrância habilitados pelos receive hooks. Se um contrato destinatário realizar chamadas externas dentro do seu hook, agentes maliciosos podem explorar isso para múltiplos saques. De fato, problemas de reentrância e compatibilidade envolvendo hooks do ERC-777 causaram prejuízos em alguns protocolos (especialmente em discussões da comunidade sobre incidentes de callback/reentrância por volta de 2020).
Para usuários:
Para desenvolvedores:
Se você busca uma funcionalidade simples de “transferência com callback”, considere o ERC-1363 (permitindo padrões como transferAndCall). É uma solução econômica, com poucas mudanças, mas possui suporte restrito no ecossistema. Caso o foco seja eliminar o processo em duas etapas de aprovação/transferência, o ERC-2612 (autorização via assinatura permit) é amplamente utilizado no ambiente ERC-20.
Para funcionalidades mais completas — receive hooks, delegação de operadores e descoberta de interface — e disposição para lidar com maior complexidade e requisitos de auditoria, opte pelo ERC-777. Caso contrário, combinar ERC-20 + ERC-2612 ou adotar o ERC-1363 pode ser mais adequado à infraestrutura existente.
Até 2025, a adoção do ERC-777 segue inferior à do ERC-20. O ERC-20 consolidou-se como padrão, com ferramentas maduras e experiência de auditoria robusta. Apesar das funcionalidades avançadas do ERC-777, seus hooks exigem rigor adicional em segurança; por isso, muitos projetos preferem adicionar mecanismos de permit ou callback ao ERC-20 como alternativa.
Na prática, o ERC-777 atua como um padrão “sob demanda” — ideal para equipes que necessitam de recepção programável e têm forte capacidade de engenharia em segurança.
O ERC-777 aprimora a experiência de recepção e a programabilidade dos tokens: receive hooks permitem processamento instantâneo ao receber, operadores facilitam pagamentos delegados e o registro EIP-1820 viabiliza a descoberta de interfaces. Contudo, esses recursos trazem custos adicionais de segurança e compatibilidade, exigindo design criterioso e testes rigorosos. Para o usuário comum, a experiência de transferência e custódia é similar ao ERC-20; em exchanges (como a Gate), confirme o suporte de rede antes de depósitos para evitar problemas com ativos. De modo geral, o ERC-777 é mais indicado para aplicações automatizadas ou de controle refinado, enquanto os casos de uso mais amplos continuam recorrendo ao ERC-20.
No contexto das criptomoedas, 777 geralmente se refere ao padrão de token ERC-777 — um protocolo avançado do Ethereum que amplia o ERC-20 ao incorporar funcionalidades como acionamento de operações de contratos inteligentes durante transferências. Em resumo, o ERC-777 permite transações de tokens mais inteligentes e flexíveis.
O principal diferencial do ERC-777 é o suporte a funções “hook” que executam automaticamente lógicas adicionais durante transferências — eliminando a necessidade de etapas separadas de aprovação e transferência. Isso permite o desenvolvimento de aplicações complexas, como staking automatizado ou transferências condicionais. A experiência do usuário é mais fluida, mas exige atenção especial aos riscos de segurança dos hooks.
A Gate oferece suporte a depósitos e saques para a maioria dos principais tokens, incluindo alguns ERC-777. Na página de depósito/saque da Gate, localize seu token e siga as instruções. Sempre realize um teste com valor pequeno antes de movimentar quantias maiores, garantindo a precisão do endereço/rede e evitando perda de ativos.
Apesar de oferecer recursos avançados, a complexidade e questões de compatibilidade limitaram a adoção em larga escala do ERC-777. Muitas carteiras e exchanges tradicionais têm suporte incompleto, enquanto o mecanismo de hooks demanda atenção redobrada à segurança. Por isso, a maioria dos projetos ainda prefere o padrão ERC-20, reconhecido e amplamente suportado.
Comece entendendo os fundamentos do padrão ERC-20, depois aprofunde-se em desenvolvimento de smart contracts (por exemplo, Solidity). Ter familiaridade com princípios de transferência em blockchain, taxas de gás, mecanismos de autorização, entre outros, é útil. Para o usuário comum, basta saber que se trata de um token aprimorado; desenvolvedores devem estudar detalhadamente sua implementação.


