

O ecossistema Polkadot atingiu um marco expressivo com a Mythos, sua blockchain de games, ao conquistar posição entre as três maiores L2 globais em receita de taxas de transação. Dados do Token Terminal mostram que, no período recente, a Mythos Chain apresentou desempenho notável em receitas de taxas, consolidando sua liderança entre blockchains L2. Esse avanço supera diversos nomes conhecidos do setor, como OP Mainnet, Immutable, Unichain e zkSync.
O resultado representa muito mais do que estatísticas; comprova a viabilidade prática da infraestrutura de jogos Web3. Esse salto é impulsionado principalmente pelo crescimento explosivo dos jogos on-chain, notadamente títulos que alcançam as primeiras posições em grandes lojas de aplicativos, e pelo avanço contínuo da atividade on-chain, habilitada pelo mecanismo de negociação rápida desenvolvido pela Mythical Games. Diferente de muitos projetos Web3 que dependem apenas de expectativas especulativas, Mythos construiu um modelo de receita concreto baseado no engajamento real dos jogadores. É um dos raros casos em que uma blockchain executa um modelo de negócios fechado e sustentável no universo Web3.
O êxito dos grandes títulos de games reforça esse potencial. Jogos de destaque nas lojas de aplicativos conquistam posições em rankings nacionais logo na primeira semana de lançamento. Esses títulos apresentam métricas excepcionais de engajamento, com avaliações superiores a 4,8 estrelas em dispositivos Android, figurando entre os melhores lançamentos recentes. Notavelmente, o sucesso desses jogos decorre da integração natural da tecnologia Web3 à lógica central do negócio—a maioria dos jogadores sequer percebe que está utilizando blockchain, embora a infraestrutura permita estratégias avançadas de monetização.
A chegada do mecanismo Quick Trade da Mythical representa uma virada na forma como os jogos Web3 abordam monetização. O sistema patenteado resolve uma questão histórica da indústria: como monetizar jogadores que não pretendem gastar dinheiro diretamente.
Modelos tradicionais, baseados em compras únicas, microtransações ou publicidade, têm limitações intrínsecas. O modelo de anúncios, em especial, prejudica a experiência do usuário e é pouco efetivo em mercados com baixa adoção de cartões de crédito. O Quick Trade traz uma solução inteligente ao permitir que jogadores participem das economias internas do jogo e gerem valor, sem a necessidade de desembolsar dinheiro diretamente.
O mecanismo opera por meio de um sistema inteligente de matching de ordens, construído sobre infraestrutura Web3. Quando um jogador quer um item específico, ele pode propor trocas com itens próprios. A plataforma faz o matching automaticamente entre uma rede global de jogadores, inclusive de diferentes países e fusos. Caso o inventário não seja suficiente, o jogador pode complementar com um pequeno valor em dinheiro. Para o jogador, a experiência é direta—ele expressa interesse pelo item e o sistema conduz a transação de forma transparente.
O impacto econômico foi notável. Em grandes títulos, quando a função de negociação estava restrita à versão web, sem integração ao cliente principal, a receita Web3 era proporcionalmente baixa. Com melhorias essenciais—incorporando o marketplace ao jogo e lançando o Quick Trade nos principais canais como Apple, Google e Epic—a receita Web3 aumentou de forma relevante. Essa mudança representa uma nova lógica para as economias dos games.
O ponto mais disruptivo do Quick Trade é a monetização de usuários não pagantes. Em jogos free-to-play, aproximadamente 5% dos jogadores gastam dinheiro diretamente—95% da base nunca foi monetizada. O Quick Trade muda essa equação, tornando 95% da base potencialmente geradora de valor. O jogador pode negociar ativos, participar do marketplace global e até obter renda, sem gastar dinheiro.
No horizonte, a Mythical trabalha em um assistente de negociação com inteligência artificial para facilitar ainda mais a experiência. A IA analisará os ativos do jogador e criará caminhos de negociação para alcançar os itens desejados, sem que o usuário precise entender os mecanismos internos. Basta informar o objetivo e a IA se encarrega dos cálculos e transações. A expectativa é que isso amplie a receita Web3 e aumente a adoção.
Os jogos lançados recentemente já demonstram que o modelo é replicável. Mesmo sem o Quick Trade ou marketplace integrado no lançamento, esses títulos já alcançam percentuais relevantes de receita Web3. Isso sugere estabilidade e escalabilidade em diferentes contextos.
O conceito de supply chain digital da Mythical Games propõe uma transformação para a criação de valor em um ecossistema global de criadores. Não se limita à economia de um jogo, mas reestrutura totalmente a produção de ativos digitais, permitindo que diferentes colaboradores criem, aprimorem e monetizem bens digitais.
O supply chain digital opera com criação em camadas e distribuição automatizada de lucros. Imagine um jogo de corrida: um desenvolvedor cria o chassi básico focado em desempenho e vende por US$0,99. Outro criador adiciona modificações visuais, pintura especial e upgrades de motor, precificando sua versão aprimorada em US$1,99, US$4,99 ou até US$20. Outros colaboradores podem incluir efeitos, sons ou recursos sociais, agregando novas camadas de valor e preço. Independentemente do preço final, o sistema remunera automaticamente cada colaborador conforme acordos registrados na blockchain.
Esse modelo traz benefícios de transparência e automação na distribuição de lucros. Cada transação é registrada on-chain e a remuneração segue regras pré-definidas, sem intermediários ou burocracia. Também reduz barreiras de entrada para criadores—indivíduos ou pequenos grupos podem contribuir em qualquer etapa sem precisar desenvolver o produto inteiro. O incentivo à qualidade é elevado, pois o trabalho pode gerar receita recorrente conforme o valor agregado.
O potencial de escala é enorme. Enquanto o mercado global de games movimenta cerca de US$200-300 bilhões ao ano, o supply chain digital pode atingir valores ainda maiores. Os bens digitais, após criados, são replicáveis com custo marginal quase nulo, possibilitando captura de valor em múltiplos estágios.
Jogos baseados em física se encaixam especialmente nesse modelo, pois melhorias técnicas são mensuráveis e impactam diretamente a experiência. Um motor mais preciso, colisão aprimorada ou física avançada justificam preços premium e têm valor comprovado.
Esse conceito se assemelha ao modelo Money Lego do DeFi, onde componentes financeiros se combinam para criar instrumentos sofisticados. Nos games, os componentes básicos—motores, pacotes de ativos, sistemas de mecânica—servem de base para experiências mais completas.
O supply chain digital muda a lógica entre criadores e distribuição de valor. Em vez de uma empresa central deter todo o desenvolvimento e os lucros, a criação de valor passa a ser orientada pelo usuário. Cada participante—de desenvolvedores de motores a designers e criadores de conteúdo—pode ser remunerado diretamente. Essa mudança pode impactar todo o mercado de games e a indústria de conteúdo digital.
A decisão da Mythical Games de construir sobre Polkadot é estratégica e técnica, baseada em requisitos de infraestrutura que só a Polkadot atende. A escolha veio após análise de diversas alternativas, cada qual com vantagens, mas limitações para o universo dos games.
A jornada começou com Ethereum em 2017, no início dos jogos blockchain. Apesar de ser a escolha mainstream, a estrutura de custos tornava inviável operar games—transações podiam custar caro em taxas de gás, inviabilizando transferência de ativos de baixo valor. Blockchains layer one, então, não atendiam as demandas econômicas dos games.
Outras soluções layer one apareceram, trazendo vantagens como sustentabilidade ambiental via proof-of-stake, taxas baixas e rapidez. Porém, enfrentaram desafios de comunidade e dúvidas sobre viabilidade no longo prazo.
Mythical desenvolveu então a Mythos Chain como sua própria EVM sidechain, garantindo controle operacional e boa experiência ao usuário. No entanto, operar a maioria dos validadores trazia o problema da falta de descentralização e riscos inerentes à infraestrutura centralizada.
Esse cenário impôs três necessidades: estrutura de taxas flexível para economias de jogo, governança descentralizada via DAOs (permitindo que empresas participem e alterem regras on-chain sem dependência externa), e segurança robusta independente do controle direto da Mythical.
Polkadot se mostrou capaz de atender esses requisitos. A arquitetura mantém a Mythos como uma chain layer one independente, protegida pela relay chain da Polkadot. Isso garante à Mythical controle sobre os parâmetros do jogo, além da segurança proporcionada pela rede distribuída de validadores.
Em especial, a Polkadot oferece vantagens como estrutura de taxas flexível (permitindo mecanismos deflacionários e controle de oferta), segurança independente dos validadores de cada chain e governança transparente via DAOs, que permite participação direta das comunidades.
Além dos aspectos técnicos, a Mythical Games destaca o alinhamento filosófico quanto ao potencial da descentralização para transformar ecossistemas digitais. Essa convergência abrange o propósito da tecnologia: usar Web3 para resolver problemas reais em jogos e experiências digitais, e não como mera especulação.
Os recentes títulos de alto desempenho validam a estratégia da Mythical Games no Web3 gaming, atingindo marcos em aquisição de usuários, engajamento e presença internacional, e mostrando a aplicação prática de conceitos antes teóricos.
Na primeira semana de lançamento, os principais jogos conquistaram posições de ranking em mais de 100 países—resultado que comprova apelo global genuíno. Avaliações acima de 4,8 estrelas no Android indicam excelência em design, experiência e alinhamento entre jogo e expectativa dos jogadores.
Métricas de engajamento revelam envolvimento profundo. Sessões ultrapassam 10 minutos, mostrando dedicação dos jogadores por partida. A frequência diária chega a múltiplas sessões, indicando retornos constantes ao jogo. Esses indicadores refletem diversão genuína e engajamento real.
A relevância dos títulos é ainda maior pelo foco atual em qualidade e experiência do usuário. Métricas iniciais de receita Web3 já apontam monetização significativa e indicam consistência do modelo econômico em diferentes cenários.
A distribuição geográfica é prioridade. A Mythical Games identificou mercados com alto potencial, grandes populações, interesse em games e baixa adoção dos modelos tradicionais ocidentais. Empresas de diversos países já buscam parceria e integração.
O impacto cultural e econômico da expansão global de games é significativo. Em muitos mercados emergentes, US$20 representam valor expressivo, muitas vezes maior que em mercados ocidentais. Ao permitir que jogadores desses lugares obtenham valor negociando ativos e participem de ecossistemas globais, os games criam novos mecanismos de distribuição de riqueza e relevância econômica local.
O objetivo dos grandes títulos é alcançar 100 milhões de usuários ou mais. A tendência atual mostra que isso é possível—jogos que já cobrem mais de 100 países sugerem potencial explosivo de crescimento. Diversos países buscam que suas franquias alcancem relevância cultural e participação universal. O plano vai além do sucesso comercial para abarcar impacto social.
O compromisso de longo prazo é comprovado por contratos plurianuais de desenvolvimento, indicando planejamento para evolução, atualizações regulares e aprimoramento contínuo, em vez de projetos de curto prazo. Isso garante aos jogadores apoio e continuidade do produto.
A sustentabilidade é, talvez, o maior desafio dos jogos Web3, e a Mythical Games investiu esforços técnicos e intelectuais em modelos capazes de garantir valor e saúde prolongados. As dificuldades dos projetos anteriores mostraram a importância de um design econômico sustentável, fundamental para a viabilidade em longo prazo.
O grande desafio é sustentar a economia do jogo com tokens do projeto e ativos internos. Isso traz complicações—diferente dos jogos competitivos tradicionais, que se mantêm por anos como entretenimento, forçar modelos de token insustentáveis cria dificuldades macroeconômicas difíceis de resolver. A dinâmica de oferta e demanda sempre muda, e tentar manter valores mínimos por narrativa leva ao fracasso futuro.
Muitos projetos Web3 fracassaram por não investigar a origem da utilidade real e não criar mecanismos de geração contínua de valor. Apostaram em modelos de oferta e demanda baseados em narrativa de demanda infinita, que parecem saudáveis, mas dependem exclusivamente de aporte externo, e não de valor interno.
A Mythical Games aposta em tokenomics deflacionário. Tokens do projeto e chains de jogos são desenhados com mecanismos de queima embutidos. Mesmo com aumento anual de emissão, o ritmo de queima é maior, reduzindo a oferta ao longo do tempo. Estruturalmente, isso garante escassez crescente e valor preservado. O indicador de sustentabilidade é manter a estrutura deflacionária por períodos prolongados—não gerar valorização eterna.
O foco da Mythical Games está na sustentabilidade dos ativos in-game, não apenas do token. Ativos têm escassez natural e valor real. Quantidades limitadas, disponibilidade restrita e vínculos emocionais e culturais dos jogadores criam motores econômicos sustentáveis. Cosméticos raros em jogos estabelecidos alcançam preços altos em mercados secundários, comprovando o valor duradouro da escassez.
Em vez de modelos abstratos de oferta e demanda, o foco é funcionalidade do ativo e escassez autêntica. Funcionalidade significa que o item melhora de fato a experiência do jogador; combinada à escassez, cria sistemas que recompensam conquistas reais e investimento, e não especulação.
A diferença entre tokenomics especulativo e modelo lastreado em ativos é fundamental. O modelo especulativo depende de valorização permanente e colapsa quando a adoção desacelera. O modelo lastreado em ativos obtém valor da utilidade, engajamento e relevância cultural dos itens. Esse sistema é muito mais resiliente às oscilações do mercado.
A filosofia de sustentabilidade orienta o design do jogo. Games baseados em princípios sustentáveis devem estimular engajamento de longo prazo, evolução de contas e ativos, e evitar progressão acelerada ou descarte de ativos, pois isso esgota o interesse e destrói valor.
A trajetória da Mythos e da Mythical Games comprova que a tecnologia Web3, quando aplicada de forma estratégica e prática aos games, pode gerar valor excepcional e solucionar desafios históricos do setor. O destaque na receita de taxas global de L2, a rápida adoção dos principais títulos e o modelo de monetização que mostra que jogadores não pagantes podem gerar valor via mecanismos de negociação bem desenhados indicam que o Web3 gaming superou expectativas especulativas e atingiu relevância econômica real.
A Mythical Games vence porque prioriza a experiência do usuário e a geração de valor real, não o espetáculo tecnológico. A maioria dos jogadores sequer percebe que está usando blockchain—assim como usuários de apps convencionais ignoram a infraestrutura por trás. Essa “invisibilidade” da Web3 é justamente o que viabiliza adoção em escala bilionária.
A união de tecnologia inovadora (Quick Trade), economia sustentável (tokenomics deflacionário focado no valor dos ativos), infraestrutura acertada (segurança e flexibilidade da Polkadot) e expansão global (sobretudo em regiões pouco atendidas) mostra uma estratégia robusta para construir valor duradouro no Web3 gaming. O conceito de supply chain digital indica que o sucesso nos games pode ser apenas o início de uma transformação mais ampla na criação e distribuição de valor digital via blockchain.
Em última análise, a Mythical Games triunfa não ao convencer usuários a adotar Web3, mas ao incorporar essa tecnologia tão naturalmente a experiências de jogo envolventes que o jogador sequer precisa pensar nela. Popularizar blockchain via jogos genuinamente atraentes—em vez de educação ou evangelização—pode ser o caminho mais sólido para adoção mainstream e desenvolvimento de grandes ecossistemas de ativos digitais.





