## Correção de mercado ou início de crise? Como a política proativa em relação às criptomoedas traz novas ameaças
Este ano, a dinâmica em torno do setor de ativos digitais atingiu um ponto crítico. A mudança de orientação das autoridades em relação à regulamentação de criptomoedas abriu as portas para uma onda de novas empresas, que começaram a acumular recursos digitais de forma agressiva. No entanto, o entusiasmo dos investidores agora se depara com a dura realidade – perdas crescentes e sinais de alerta sobre a instabilidade do sistema.
### De febre à loucura: empresas acumulam ativos digitais em escala sem precedentes
A onda de novas empresas investindo em ativos digitais começou a ganhar ritmo na primavera deste ano. O modelo desta vez é simples: uma empresa listada na bolsa muda sua estratégia, anuncia a acumulação de bitcoin ou ethereum, e então atrai centenas de milhões de dólares de investidores ricos que buscam exposição ao mercado de criptomoedas.
As denominações de "empresas cofres" estão por toda parte – quase metade das novas entidades focam na posse de bitcoin, outras anunciam planos de compra de moedas menos conhecidas. Segundo estimativas do setor, as novas entidades já planejam contrair mais de 20 bilhões de dólares em dívidas para financiar essas aquisições.
A história de Allan Teh, de Miami, ilustra o risco envolvido nesta estratégia. Este ano, ele investiu 2,5 milhões de dólares em uma empresa listada na bolsa que mudou seu perfil de negócios para a acumulação de ativos digitais. As ações subiram para quase 40 dólares por unidade. No entanto, quando o mercado de criptomoedas entrou em colapso, o mesmo papel caiu para 7 dólares. Em poucas semanas, Allan Teh perdeu cerca de metade do seu investimento.
"Todos na época achavam que a estratégia era infalível" – lembra Teh. "Agora estou em pânico, se conseguirei sair sem perdas."
As instituições reguladoras observam essa expansão com crescente preocupação. O presidente da comissão de supervisão de valores mobiliários afirmou recentemente: "Claro que estamos muito preocupados com isso. Monitoramos a situação de perto."
### Alavancagem financeira: carro sem freios
A ameaça mais séria, no entanto, vem do aspecto invisível deste mercado – o comércio com uso de alavancagem financeira. Os investidores podem usar seus ativos como garantia para tomar empréstimos e aumentar suas exposições. No terceiro trimestre, o valor global de empréstimos no mercado de ativos digitais atingiu um nível recorde de 74 bilhões de dólares – um aumento de 20 bilhões apenas no terceiro trimestre.
Até recentemente, o comércio com alavancagem de 10x ocorria principalmente em mercados de risco. Em julho deste ano, a maior plataforma de negociação dos EUA anunciou a introdução de uma ferramenta que permite aos investidores apostar em contratos de bitcoin e ethereum com uma alavancagem de 10 vezes. As diretrizes regulatórias anteriores que limitavam tais transações foram retiradas.
A queda de mercado de outubro, conhecida como (flash crash), demonstrou de forma dramática a escala desse risco. Naquela noite, quando os preços das moedas eletrônicas despencaram drasticamente, foi forçada a liquidação de posições no valor de pelo menos 19 bilhões de dólares – atingindo 1,6 milhão de traders. Derek Bartron, do Tennessee, descreve sua situação: "Queria fechar minhas posições e sair, mas não consegui. De fato, as principais plataformas bloquearam o acesso aos fundos dos usuários."
Bartron perdeu cerca de 50 mil dólares por não conseguir fechar suas transações a tempo.
"A alavancagem financeira é a principal causa de crises financeiras" – alerta um ex-conselheiro da comissão de supervisão. "E o mercado atual gera uma quantidade enorme dessa alavancagem."
### Tokenização de ativos: expansão do risco para a economia real
Enquanto isso, os projetos mais ambiciosos do setor de criptomoedas estão se dirigindo a uma nova fronteira – a tokenização de ativos reais. Trata-se de criar equivalentes digitais de ações, títulos de três meses, imóveis ou até campos de petróleo.
Os precursores desse movimento, como os fundadores da startup Plume, trabalham na legalização do comércio de papéis tokenizados nos Estados Unidos. Já se reuniram com a comissão de supervisão, prepararam relatórios para a Casa Branca e abriram um escritório no alto de um famoso prédio novo em Nova York. Seu argumento é convincente: os papéis eletrônicos podem funcionar 24/7, são mais transparentes e eficientes do que o sistema tradicional.
No entanto, há alertas vindo de uma direção inesperada. Economistas do banco central alertam que a disseminação da tokenização pode transferir o risco do mercado de ativos digitais para todo o sistema financeiro, “enfraquecendo a capacidade dos decisores de manter a estabilidade da infraestrutura de pagamentos.”
O acesso a títulos de três meses, tradicionalmente considerados instrumentos seguros, por plataformas de criptomoedas cria um precedente altamente arriscado – misturando instrumentos financeiros conservadores com a notória volatilidade dos ativos eletrônicos.
### Conexões entre negócios e poder: a zona cinzenta se desfazendo
Um aspecto peculiar dessa expansão é a profunda ligação entre novas entidades e a família que governa o país. A startup World Liberty Financial, cujos fundadores são membros da família do líder do país, firmou há mais de um ano uma parceria com a empresa listada na bolsa ALT5 Sigma – uma firma envolvida na coleta de tokens emitidos pela World Liberty Financial.
O acordo prevê que, por cada transação, as entidades comerciais relacionadas à família do líder recebam uma comissão. Essa separação de interesses comerciais e governamentais é favorecida pelo atual clima de desregulamentação.
A ALT5 Sigma começou a desmoronar rapidamente. Em agosto, revelou que um de seus diretores de uma subsidiária estava envolvido em lavagem de dinheiro, e a gestão está conduzindo investigações sobre outras irregularidades graves. Desde agosto, as ações caíram 85%.
### Paradoxo da regulamentação: suavidade ao invés de supervisão
A comissão de supervisão de valores mobiliários – uma instituição que por anos travou disputas judiciais com o setor de criptomoedas – está agora mudando de rumo de forma radical. Este ano, criou um grupo de trabalho especial, que já realizou dezenas de reuniões com empresas buscando apoio regulatório para novos produtos.
O novo presidente da comissão apoia abertamente os papéis de valor tokenizados, chamando-os de “revolução tecnológica” e declarando sua determinação em apoiar o setor.
Essa mudança de orientação é total. Enquanto reguladores tradicionais e líderes de antigas instituições financeiras expressam preocupações sobre a disseminação do risco sistêmico, as autoridades federais aceleram o processo de legalização. As fronteiras entre especulação, jogo e investimento – como diz um ex-especialista – tornam-se cada vez mais difusas.
### Balanço de ameaças: de perdas privadas a uma crise sistêmica
As perdas de investidores individuais são apenas o começo. O problema real está na escala das conexões entre os mercados. Quando empresas listadas na bolsa têm exposição direta a ativos digitais, e investidores institucionais negociam tokens de papéis tradicionais, até uma pequena perturbação no mercado de moedas eletrônicas pode se espalhar por todo o ecossistema financeiro.
Também é importante que muitas novas iniciativas surgiram às pressas, com gestões sem experiência em conduzir grandes corporações. Empresas estão contraindo dívidas enormes para financiar suas acumulações. Se uma próxima queda rápida de mercado acelerar a liquidação de garantias, o efeito dominó pode ser catastrófico.
A presidente da Casa Branca destaca que a política apoia a inovação e cria oportunidades econômicas para os americanos. Líderes do setor de criptomoedas argumentam que a volatilidade é uma oportunidade, e que o risco sempre acompanha altos retornos.
No entanto, o mercado ainda enfrenta uma questão fundamental: será que o entusiasmo pelas inovações digitais não oculta mais erros sistêmicos do que soluções?
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## Correção de mercado ou início de crise? Como a política proativa em relação às criptomoedas traz novas ameaças
Este ano, a dinâmica em torno do setor de ativos digitais atingiu um ponto crítico. A mudança de orientação das autoridades em relação à regulamentação de criptomoedas abriu as portas para uma onda de novas empresas, que começaram a acumular recursos digitais de forma agressiva. No entanto, o entusiasmo dos investidores agora se depara com a dura realidade – perdas crescentes e sinais de alerta sobre a instabilidade do sistema.
### De febre à loucura: empresas acumulam ativos digitais em escala sem precedentes
A onda de novas empresas investindo em ativos digitais começou a ganhar ritmo na primavera deste ano. O modelo desta vez é simples: uma empresa listada na bolsa muda sua estratégia, anuncia a acumulação de bitcoin ou ethereum, e então atrai centenas de milhões de dólares de investidores ricos que buscam exposição ao mercado de criptomoedas.
As denominações de "empresas cofres" estão por toda parte – quase metade das novas entidades focam na posse de bitcoin, outras anunciam planos de compra de moedas menos conhecidas. Segundo estimativas do setor, as novas entidades já planejam contrair mais de 20 bilhões de dólares em dívidas para financiar essas aquisições.
A história de Allan Teh, de Miami, ilustra o risco envolvido nesta estratégia. Este ano, ele investiu 2,5 milhões de dólares em uma empresa listada na bolsa que mudou seu perfil de negócios para a acumulação de ativos digitais. As ações subiram para quase 40 dólares por unidade. No entanto, quando o mercado de criptomoedas entrou em colapso, o mesmo papel caiu para 7 dólares. Em poucas semanas, Allan Teh perdeu cerca de metade do seu investimento.
"Todos na época achavam que a estratégia era infalível" – lembra Teh. "Agora estou em pânico, se conseguirei sair sem perdas."
As instituições reguladoras observam essa expansão com crescente preocupação. O presidente da comissão de supervisão de valores mobiliários afirmou recentemente: "Claro que estamos muito preocupados com isso. Monitoramos a situação de perto."
### Alavancagem financeira: carro sem freios
A ameaça mais séria, no entanto, vem do aspecto invisível deste mercado – o comércio com uso de alavancagem financeira. Os investidores podem usar seus ativos como garantia para tomar empréstimos e aumentar suas exposições. No terceiro trimestre, o valor global de empréstimos no mercado de ativos digitais atingiu um nível recorde de 74 bilhões de dólares – um aumento de 20 bilhões apenas no terceiro trimestre.
Até recentemente, o comércio com alavancagem de 10x ocorria principalmente em mercados de risco. Em julho deste ano, a maior plataforma de negociação dos EUA anunciou a introdução de uma ferramenta que permite aos investidores apostar em contratos de bitcoin e ethereum com uma alavancagem de 10 vezes. As diretrizes regulatórias anteriores que limitavam tais transações foram retiradas.
A queda de mercado de outubro, conhecida como (flash crash), demonstrou de forma dramática a escala desse risco. Naquela noite, quando os preços das moedas eletrônicas despencaram drasticamente, foi forçada a liquidação de posições no valor de pelo menos 19 bilhões de dólares – atingindo 1,6 milhão de traders. Derek Bartron, do Tennessee, descreve sua situação: "Queria fechar minhas posições e sair, mas não consegui. De fato, as principais plataformas bloquearam o acesso aos fundos dos usuários."
Bartron perdeu cerca de 50 mil dólares por não conseguir fechar suas transações a tempo.
"A alavancagem financeira é a principal causa de crises financeiras" – alerta um ex-conselheiro da comissão de supervisão. "E o mercado atual gera uma quantidade enorme dessa alavancagem."
### Tokenização de ativos: expansão do risco para a economia real
Enquanto isso, os projetos mais ambiciosos do setor de criptomoedas estão se dirigindo a uma nova fronteira – a tokenização de ativos reais. Trata-se de criar equivalentes digitais de ações, títulos de três meses, imóveis ou até campos de petróleo.
Os precursores desse movimento, como os fundadores da startup Plume, trabalham na legalização do comércio de papéis tokenizados nos Estados Unidos. Já se reuniram com a comissão de supervisão, prepararam relatórios para a Casa Branca e abriram um escritório no alto de um famoso prédio novo em Nova York. Seu argumento é convincente: os papéis eletrônicos podem funcionar 24/7, são mais transparentes e eficientes do que o sistema tradicional.
No entanto, há alertas vindo de uma direção inesperada. Economistas do banco central alertam que a disseminação da tokenização pode transferir o risco do mercado de ativos digitais para todo o sistema financeiro, “enfraquecendo a capacidade dos decisores de manter a estabilidade da infraestrutura de pagamentos.”
O acesso a títulos de três meses, tradicionalmente considerados instrumentos seguros, por plataformas de criptomoedas cria um precedente altamente arriscado – misturando instrumentos financeiros conservadores com a notória volatilidade dos ativos eletrônicos.
### Conexões entre negócios e poder: a zona cinzenta se desfazendo
Um aspecto peculiar dessa expansão é a profunda ligação entre novas entidades e a família que governa o país. A startup World Liberty Financial, cujos fundadores são membros da família do líder do país, firmou há mais de um ano uma parceria com a empresa listada na bolsa ALT5 Sigma – uma firma envolvida na coleta de tokens emitidos pela World Liberty Financial.
O acordo prevê que, por cada transação, as entidades comerciais relacionadas à família do líder recebam uma comissão. Essa separação de interesses comerciais e governamentais é favorecida pelo atual clima de desregulamentação.
A ALT5 Sigma começou a desmoronar rapidamente. Em agosto, revelou que um de seus diretores de uma subsidiária estava envolvido em lavagem de dinheiro, e a gestão está conduzindo investigações sobre outras irregularidades graves. Desde agosto, as ações caíram 85%.
### Paradoxo da regulamentação: suavidade ao invés de supervisão
A comissão de supervisão de valores mobiliários – uma instituição que por anos travou disputas judiciais com o setor de criptomoedas – está agora mudando de rumo de forma radical. Este ano, criou um grupo de trabalho especial, que já realizou dezenas de reuniões com empresas buscando apoio regulatório para novos produtos.
O novo presidente da comissão apoia abertamente os papéis de valor tokenizados, chamando-os de “revolução tecnológica” e declarando sua determinação em apoiar o setor.
Essa mudança de orientação é total. Enquanto reguladores tradicionais e líderes de antigas instituições financeiras expressam preocupações sobre a disseminação do risco sistêmico, as autoridades federais aceleram o processo de legalização. As fronteiras entre especulação, jogo e investimento – como diz um ex-especialista – tornam-se cada vez mais difusas.
### Balanço de ameaças: de perdas privadas a uma crise sistêmica
As perdas de investidores individuais são apenas o começo. O problema real está na escala das conexões entre os mercados. Quando empresas listadas na bolsa têm exposição direta a ativos digitais, e investidores institucionais negociam tokens de papéis tradicionais, até uma pequena perturbação no mercado de moedas eletrônicas pode se espalhar por todo o ecossistema financeiro.
Também é importante que muitas novas iniciativas surgiram às pressas, com gestões sem experiência em conduzir grandes corporações. Empresas estão contraindo dívidas enormes para financiar suas acumulações. Se uma próxima queda rápida de mercado acelerar a liquidação de garantias, o efeito dominó pode ser catastrófico.
A presidente da Casa Branca destaca que a política apoia a inovação e cria oportunidades econômicas para os americanos. Líderes do setor de criptomoedas argumentam que a volatilidade é uma oportunidade, e que o risco sempre acompanha altos retornos.
No entanto, o mercado ainda enfrenta uma questão fundamental: será que o entusiasmo pelas inovações digitais não oculta mais erros sistêmicos do que soluções?